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Criança com SDRA tratada com sangue do cordão umbilical

Uma criança de sete anos diagnosticada com uma forma severa da síndrome da dificuldade respiratória aguda (SDRA), que se encontrava em estado crítico, recuperou após um tratamento inédito com células do sangue do cordão umbilical.

Criança com SDRA tratada com sangue do cordão umbilical
CÉLULAS ESTAMINAIS, O INÍCIO DE UM NOVO PARADIGMA TERAPÊUTICO

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CÉLULAS ESTAMINAIS, O INÍCIO DE UM NOVO PARADIGMA TERAPÊUTICO


O menino apresentou-se no hospital com tosse, dificuldade respiratória, febre intermitente e baixos níveis de oxigénio. As análises realizadas revelaram que sofria de pneumocistose, um tipo de pneumonia provocada por um microrganismo comum, que pode residir nos pulmões de indivíduos saudáveis sem causar qualquer problema, mas que frequentemente se torna patogénico em indivíduos com o sistema imunitário debilitado.

Para tratar a pneumocistose, foi administrada terapêutica antibiótica específica para este tipo de infeção, em conjugação com ventilação para suporte respiratório, no entanto, passados alguns dias, o estado de saúde da criança deteriorou-se, tendo-lhe sido diagnosticada uma forma severa de SDRA, cuja taxa de mortalidade pode ultrapassar os 40%.

Após 30 dias em estado crítico, e esgotadas todas as opções de tratamento sem sinais de melhoria da criança, foi proposta a realização de um tratamento experimental com células estaminais do sangue do cordão umbilical, na tentativa de reverter a situação.

Segundo a Drª Bruna Moreira, investigadora do Departamento de I&D da Crioestaminal, a opção pela aplicação de sangue do cordão umbilical ficou a dever-se ao sucesso da sua utilização noutras doenças, com um perfil de segurança favorável, e ainda com o facto de ter estado anteriormente associada a melhorias na função pulmonar em bebés prematuros, com redução da necessidade de suporte respiratório.
O facto de o sangue do cordão umbilical conter, entre outros tipos de células, células estaminais mesenquimais - cujo potencial para o tratamento de SDRA induzida pela infeção por SARS Cov-2 tem vindo a ser evidenciado em algumas publicações recentes -, foi também um fator decisivo para esta escolha.

Passados cinco dias após a administração intravenosa de sangue do cordão umbilical, uma radiografia aos pulmões da criança revelou melhorias ao nível pulmonar, o que deu início à sua recuperação, que continuou a evoluir favoravelmente, tendo o menino recebido alta 71 dias depois da hospitalização.
A sua função pulmonar melhorou significativamente nos 7 meses de acompanhamento que se seguiram e o tratamento foi considerado seguro, não se tendo observado quaisquer efeitos adversos decorrentes da administração.

O caso, recentemente apresentado na revista científica European Journal of Medical Research, demonstrou que estas células têm a capacidade de restaurar o equilíbrio do sistema imunitário, contribuindo para o controlo da infeção. Ainda que o tratamento tenha sido um sucesso, os autores salientam a necessidade de realização de estudos mais alargados que permitam confirmar estes resultados.

A síndrome de dificuldade respiratória aguda (SDRA) é uma doença potencialmente fatal na qual os pulmões não conseguem funcionar adequadamente. É causada por lesões na parede capilar, seja devido a doença ou devido a uma lesão física, como por exemplo um grande traumatismo. Isto faz com que a parede fique com fugas, levando a uma acumulação de líquido e ao eventual colapso dos alvéolos, deixando os pulmões incapazes de fazer as trocas de oxigénio e dióxido de carbono.

Fonte: Tupam Editores

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