PSICOLOGIA

Mais investimento na Saúde Mental Laboral deve ser uma prioridade

Um estudo realizado pela Flexsaúde e a Stunning Capacity, em colaboração com a Michael Page, em dezembro de 2020, indica que deverá haver maior investimento e responsabilidade por parte das empresas, a par com uma estratégia integrada para a saúde mental.

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O estudo visou avaliar o bem-estar e a saúde mental laboral nas organizações portuguesas, tendo em conta dimensões como o estado atual da saúde mental, os objetivos das organizações e as soluções e recursos que têm ao seu dispor.

Como principais conclusões, destacam-se a responsabilidade atribuída às organizações na otimização da saúde mental dos seus colaboradores, a falta de uma estratégia integrada de implementação de iniciativas de saúde mental e a necessidade de investimento nas diferentes fases da saúde mental por parte das empresas.

O estudo revela ainda que o capital humano e os recursos imateriais como o tempo são os mais importantes para essa gestão.

Joana Barros, Sénior Marketing Executive da Michael Page, refere que “a saúde mental deve ser uma prioridade para as empresas e os seus gestores. Os líderes têm uma responsabilidade pessoal pela sua equipa e o seu bem-estar, e desempenham um papel importante na criação de um ambiente onde a saúde mental dos colaboradores seja uma prioridade e as pessoas possam partilhar as preocupações e os desafios que estão a enfrentar no seu dia-a-dia”.

“Os contextos laborais mudam, por exemplo, a natureza do dia de trabalho mudou muito com o trabalho à distância, o que traz novas questões sobre os relacionamentos, a ansiedade, a gestão das expetativas e a execução de tarefas. Também é indiscutível que uma força de trabalho feliz é mais motivada e produtiva”, acrescenta.

Quando questionados sobre o nível de responsabilidade que as organizações devem ter nas diferentes fases da otimização do bem-estar e saúde mental dos seus colaboradores, 58 por cento dos inquiridos afirma que a responsabilidade deve ser partilhada e 29 por cento atribui maior responsabilidade à organização face ao colaborador. Apenas quatro por cento considera que a organização não tem qualquer responsabilidade.

No que diz respeito aos fatores com impacto mais frequente na degradação do bem-estar e saúde mental dos colaboradores, os diferentes motivos individuais sobrepõem-se aos fatores que são transversais à organização.

A pandemia (83 por cento), a escassez de recursos do colaborador (80 por cento) e acontecimentos traumáticos pessoais (79 por cento) são os mais apontados. Os inquiridos acreditam que as organizações deverão atribuir maior importância a iniciativas focadas na resolução de comportamentos pessoais dos colaboradores (como o consumo de álcool ou drogas) do que na alteração de outros fatores, como a escassez de recursos dos colaboradores ou no alívio do stress próprio das funções.

De acordo com os resultados do estudo, entre os fatores no âmbito da organização com impacto na saúde mental, destacam-se os horários de trabalho (88 por cento), as relações interpessoais (91 por cento) e os níveis de stress associados ao desempenho da função (96 por cento). A maioria dos entrevistados atribui também especial importância ao volume e ritmo de trabalho, como sendo dos fatores com maior agravamento.

O estudo revela ainda que a preocupação das organizações com a melhoria da saúde mental dos seus colaboradores prende-se, sobretudo, com objetivos de produtividade, redução do absentismo, engagement e a preocupação das empresas em evitar efeitos negativos na sua reputação, de acordo com a maioria dos entrevistados. Ou seja, a otimização de níveis fisiológicos ou psicológicos dos Colaboradores em si mesmo não são fatores em que as Organizações se mostrem motivadas no âmbito da saúde mental laboral.

O baixo sucesso das ações e iniciativas levadas a cabo pelas organizações na melhoria do bem-estar e saúde mental dos seus colaboradores, é também apontado pela maioria dos participantes.

Assim, 80 por cento das respostas confirma a necessidade de investimento por parte das empresas em recursos diversos (tempo, financeiros, know-how, materiais), principalmente na fase de monitorização da saúde mental, para gerar uma mudança positiva no estado geral dos seus colaboradores, e aponta a prevenção de patologias como uma prioridade.

Entre as principais iniciativas que poderão ser implementadas pelas empresas, segundo o estudo, destacam-se o envolvimento da gestão de topo na melhoria da organização do trabalho e práticas de liderança; maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional e equidade no tratamento dos colaboradores, atribuição de seguros de saúde com vertente de saúde mental, respeito pelos horários de trabalho estabelecidos, e políticas de organização do trabalho flexíveis e personalizadas.

As iniciativas conjuntas entre o colaborador e a empresa com o objetivo de uma solução integrada, são referidas por 75 por cento dos entrevistados com um elevado nível de importância.

Falar abertamente sobre o tema da saúde mental laboral para combater a sua estigmatização, definir em parceria com os colaboradores uma política clara de desenvolvimento do bem-estar organizacional, implementar uma gestão participada e orientada por objetivos e desenvolver estratégias de aumento de literacia em saúde mental, são algumas das medidas referidas.

No que diz respeito aos recursos que as empresas podem ter para contornar o problema da degradação da saúde mental, o conhecimento humano é identificado como sendo o mais importante, seguido dos recursos financeiros e, com menor relevância, da utilização de tecnologia.

Comentando os resultados do estudo, Alberto Amaral, presidente executivo do Conselho de Administração da Flexdeal, acrescentou que “a FlexSaúde desenvolve uma abordagem integrada e inovadora junto das organizações, por forma a reunir e disponibilizar o máximo de recursos de uma gama de parceiros ao longo da cadeia de valor da saúde física e mental”.

“A capacidade de misturar ofertas convencionais e digitais numa infraestrutura tecnológica com organizações, investigadores e prestadores de serviços, permite a criação de um ecossistema da saúde, onde através de soluções personalizadas por organização e colaborador, responde a múltiplas necessidades. Privilegiando sempre a base científica, construímos programas pontuais ou permanentes, que permitam que as empresas mantenham ou aumentem o nível de satisfação e felicidade dos seus colaboradores, prevenindo o stress ou burnout laboral, e promovendo pessoas e locais de trabalho mais saudáveis”, concluiu.

Fonte: Michael Page

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