EXERCÍCIO

Exercícios intensos beneficiam doentes cardíacos

O treino intercalado de alta intensidade fortalece o coração ainda mais do que o exercício moderado, mesmo para doentes cardíacos.

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Cientistas internacionais afirmam ter encontrado várias respostas que explicam porque os exercícios intensos são tão eficazes para o coração, tanto de pessoas saudáveis, como de pacientes cardíacos.

“Nós descobrimos que o exercício melhora propriedades importantes, tanto na forma como as células do músculo cardíaco lidam com o cálcio, como na condução dos sinais elétricos no coração. Essas melhorias permitem que o coração bata mais vigorosamente, o que pode neutralizar distúrbios do ritmo cardíaco que apresentam risco de vida”, disse o professor Tomas Stolen, na Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia.

Para que o coração seja capaz de bater com força, de modo regular e sincronizadamente, muitas funções precisam trabalhar juntas. Cada vez que o coração bate, o nó sinusal - o pacemaker natural do coração - envia impulsos elétricos para o resto do órgão. Esses impulsos elétricos são chamados de potenciais de ação.

Todas as células do músculo cardíaco são envolvidas por uma membrana. Em repouso, a tensão elétrica no interior da membrana celular é negativa, em comparação com a tensão externa. A diferença entre a voltagem externa e a interna da membrana celular é chamada de potencial de membrana em repouso.

Quando os potenciais de ação alcançam as células do músculo cardíaco, precisam superar o potencial de membrana em repouso de cada célula para despolarizar a parede celular. Quando isso acontece, o cálcio pode fluir para a célula por meio de canais na membrana celular.

É o cálcio que inicia a contração das células do músculo cardíaco. Quando esse processo está completo, o cálcio é transportado para fora da célula ou de volta para o seu local de armazenamento, dentro de cada célula do músculo cardíaco. A partir daí, o cálcio está pronto para contribuir para uma nova contração da próxima vez que um potencial de ação surgir.

Se a condução elétrica do coração ou o sistema de controlo do cálcio falhar, há o risco de que menos células do músculo cardíaco se contraiam ou que a contração em cada célula seja fraca, fazendo os sinais elétricos tornarem-se caóticos. Como resultado, as câmaras cardíacas começam a tremer.

“Todos esses processos são disfuncionais quando alguém tem insuficiência cardíaca. Os potenciais de ação duram muito tempo, o potencial de repouso das células é muito alto e a função de transporte dos canais de cálcio na parede celular não funciona. O cálcio então vaza constantemente dos seus locais de armazenamento dentro de cada célula do músculo cardíaco”, explicou Stolen.

Os “nossos resultados mostram que o treino intensivo pode reverter total ou parcialmente todas essas disfunções”, afirmou o investigador.

Os cientistas fizeram testes em animais de laboratório que foram divididos em dois grupos: o primeiro foi submetido a um treino intercalado de alta intensidade, enquanto o segundo grupo fez exercícios menos intensos. Mas a única diferença estava no tempo, e não no esforço total: todos percorreram as mesmas distâncias, mas alguns fizeram-no rapidamente, e os outros mais lentamente.

Embora todos os animais tenham beneficiado dos exercícios, aqueles que fizeram o trabalho mais árduo, percorrendo as distâncias em menos tempo, apresentaram o maior nível de diversas melhorias de saúde, incluindo os já destacados benefícios ao coração.

Quando os investigadores tentaram induzir problemas cardíacos nos animais, aqueles submetidos ao treino intercalado de alta intensidade mostraram-se imunes ao problema.

“Por exemplo, fomos capazes de induzir fibrilhação cardíaca em cinco de oito animais após um período de exercício moderado, e a sua capacidade de bombeamento melhorou apenas em metade, face ao grupo de treino intercalado”, concluiu Stolen.


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