OFTALMOLOGIA

Mais de dois milhões de pessoas têm dificuldades de visão no país

O Dia Internacional da Cobertura Universal de Saúde foi assinalado a 12 de dezembro, com o objetivo de reafirmar o acesso universal a cuidados de saúde como um direito. A cobertura universal de saúde faz parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, que devem ser alcançados até 2030.

Mais de dois milhões de pessoas têm dificuldades de visão no país
CATARATAS: QUANDO A VISÃO SE TORNA OPACA

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CATARATAS: QUANDO A VISÃO SE TORNA OPACA

A cobertura universal de saúde significa que todas as pessoas têm direito a ter acesso aos serviços de saúde que precisam, quando e onde precisam, sem qualquer tipo de barreiras. Inclui toda a gama de serviços essenciais de saúde, da promoção da saúde à prevenção, tratamento, reabilitação e cuidados paliativos.

Segundo Raúl de Sousa, presidente da Associação de Profissionais Licenciados de Optometria (APLO), “uma avaliação rigorosa da implementação e dos resultados do ‘Plano de Ação Global: Acesso Universal aos Cuidados para a Saúde da Visão da Organização Mundial da Saúde’, subscrito por Portugal em 2012, com o objetivo de reduzir a deficiência visual e/ou cegueira evitável em 25 por cento, revela o falhanço total das políticas nacionais”.

“Das quatro recomendações idealizadas por este plano, nenhuma foi concretizada: não há a implementação de cuidados primários para a saúde da visão, não se procedeu à integração de Optometristas no Serviço Nacional de Saúde (SNS), e não se eliminaram as barreiras injustificadas no acesso aos cuidados para a saúde da visão. Também ficaram por obter dados fidedignos sobre a prevalência das principais causas de deficiência visual e/ou cegueira evitável e o estabelecimento de uma verdadeira estratégia nacional para a saúde da visão centrada nos utentes”, acrescenta.

“Mais de dois milhões de pessoas apresentam dificuldades de visão em Portugal, sendo os erros refrativos a principal causa de disfunção da visão, atingindo, segundo as estimativas, mais de 50 por cento dos portugueses. Num momento onde as barreiras de acesso aos cuidados para a saúde da visão no SNS são crónicas, gigantescas e aumentam de ano para ano, é absolutamente crítico refletir sobre a realidade atual e futuro dos cuidados para a saúde da visão em Portugal”, conclui Raúl de Sousa.

Um estudo realizado pela Nova Healthcare Initiative – Research, da Universidade Nova de Lisboa, revela que 25 por cento dos pedidos de consulta de oftalmologia podem ser resolvidos por optometristas, dada a natureza das condições referenciadas e caso estes profissionais fossem integrados no SNS.

Colocar os optometristas no SNS, nomeadamente nas Unidades de Saúde Familiar, tem sido um tema controverso junto do Ministério da Saúde. Grupos parlamentos e outras instâncias políticas têm deliberadamente ignorado este assunto, mesmo depois das provas científicas das suas vantagens para as contas do Estado, mas sobretudo para a qualidade de vida dos portugueses e do correto funcionamento do nosso sistema de saúde público.

Fonte: Associação de Profissionais Licenciados de Optometria

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