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Zika: danos causados pelo vírus podem ser maiores do que se pensa

Filhos de grávidas infetadas pelo vírus Zika podem nascer com microcefalia, e mesmo aqueles que pareciam “normais” ao nascer registaram problemas neurológicos ou de desenvolvimento com o avançar da idade, indicam novas investigações.

Zika: danos causados pelo vírus podem ser maiores do que se pensa

De acordo com o estudo, realizado pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, bebés expostos ao vírus Zika sem microcefalia que podem parecer “normais” na altura do nascimento podem ter outras anormalidades registadas com maior frequência do que seria esperado na população em geral.

O novo estudo incluiu dados de cerca de 300 crianças com infeção por Zika conhecida ou suspeita, adquirida durante a gravidez, das quais 24 por cento nasceram com microcefalia. O resto parecia ter cabeças normalmente desenvolvidas.

A saúde e o desenvolvimento dos bebés foram acompanhados de dezembro de 2015 a julho de 2019. As crianças foram alvo de avaliações mensais durante os primeiros seis meses de vida. Após os primeiros seis meses, as crianças foram avaliadas a cada três meses.

Os cientistas descobriram que a circunferência da cabeça variava ao longo do tempo em algumas crianças. Em bebés nascidos com um tamanho normal da cabeça, cerca de dez por cento desenvolveram microcefalia durante o acompanhamento. Por outro lado, 7,5 por cento dos nascidos com microcefalia tiveram um tamanho normal da cabeça durante o estudo.

Exames neurológicos foram realizados em 213 dos bebés, dos quais 75 por cento tiveram achados anormais, como reflexos hiperativos. Nos participantes com microcefalia, 26 por cento apresentavam problemas auditivos e 79 por cento apresentavam alterações oculares.

As crianças com cabeças de tamanho normal também apresentavam problemas auditivos (dez por cento) ou oculares (18 por cento). Algumas crianças também tiveram problemas de desenvolvimento e outras registaram dificuldade em engolir.

Testes de imagem foram realizados em 203 crianças e apontaram que 96 por cento daquelas com microcefalia tiveram resultados anormais nesses testes, em comparação com 29 por cento daquelas com cabeças de tamanho normal.

A partir desses resultados, os investigadores sugerem que bebés nascidos de mães infetadas pelo Zika mas que não apresentam sintomas óbvios ao nascer não devem ser descartados como afetados.

O vírus Zika é transmitido através de picadas de mosquito Aedes aegypti. As pessoas infetadas podem não ter nenhum sintoma ou podem ter sintomas leves. Os possíveis sintomas incluem febre, erupção cutânea, dor de cabeça, dor nas articulações, olhos vermelhos e dores musculares. Nas mulheres grávidas, no entanto, o vírus Zika pode provocar microcefalia e outros defeitos cerebrais e de nascimento em bebés.

Fonte: Boa Saúde

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