PARKINSON

Parkinson: doentes não podem ficar sem terapia

A Associação Portuguesa de Doentes com Parkinson (APDPk) acaba de lançar uma linha de apoio para ajudar doentes e cuidadores a esclarecer as suas maiores dúvidas durante a pandemia de COVID-19, assim como apoiar nesta fase de isolamento social.

Parkinson: doentes não podem ficar sem terapia

Na semana em que se assinala o Dia Mundial da Doença de Parkinson, a associação colocou no seu website um manual onde foram compilados exercícios de fisioterapia, terapia da fala e alguns conselhos para permitir que os doentes deem continuidade em casa às atividades que desenvolviam nas sessões organizadas na associação.

“Devido à pandemia de COVID-19, tivemos de cancelar todas as atividades e sessões de terapia que, por norma, oferecemos aos nossos doentes.  Sem algumas dessas terapias, os doentes poderiam regredir no que diz respeito à melhoria dos sintomas”, explica Ana Botas, presidente da APDPk.

O manual que a associação lança esta semana pretende colmatar a falta das sessões presenciais e inclui exercícios de fisioterapia, dicas sobre postura, alimentação, hidratação e estilo de vida, para que o estado destes doentes não se deteriore durante o confinamento imposto pela pandemia.

“Já a linha de apoio foi pensada para doentes e cuidadores que muitas vezes nos procuram com questões práticas bem como para nos pedir estratégias para lidar com a depressão e ansiedade, muito características da doença de Parkinson”, refere ainda a presidente da APDPk.

“É muito importante que, mesmo nesta fase difícil, os doentes com Parkinson mantenham os tratamentos prescritos pelos seus médicos e terapeutas e que cumpram rigorosamente com as medidas de distanciamento físico e proteção sugeridas pelas autoridades de saúde. Apesar de a doença de Parkinson não ser um fator de risco para complicações mais graves da infeção pelo novo coronavírus, é reconhecido que a idade, por si só, aumenta o risco de complicações. As pessoas com Parkinson devem, assim, adotar os mesmos cuidados das pessoas da mesma idade e que não têm a doença. Relativamente à medicação, é importante reiterar que não há nenhuma necessidade de os doentes pararem ou alterarem qualquer medicamento”, explica Joaquim Ferreira, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, diretor do CNS – Campus Neurológico e membro do Conselho Científico da APDPk.

Para o ano de 2020, a APDPk definiu como tema a abordar no Dia Mundial da Doença de Parkinson a importância dos cuidadores. Assim, este livro inclui também algumas dicas para ajudar os cuidadores a lidar com esta fase mais difícil, tais como: manter as rotinas e planear as semanas de forma a cumprir alguns objetivos; manter-se informado através de fontes seguras e fidedignas como a DGS e a OMS e aproveitar os momentos de descanso do doente com Parkinson e fazer alguma atividade de lazer.

“Nesta fase difícil, gostaríamos de deixar uma mensagem de apoio e esperança a todos os associados da APDPk e famílias e dizer que continuamos empenhados no desenvolvimento e crescimento da associação. Esperamos que rapidamente possamos reunir-nos para realizar atividades ao ar livre, que estamos a planear para o final do isolamento social”, acrescenta Ana Botas.

Para assinalar a efeméride, a APDPK desenvolveu ainda, em conjunto com a Sociedade Portuguesa de Neurocirurgia (SPN), a Sociedade Portuguesa das Doenças do Movimento (SPDMOV) e a CNS Academy, um vídeo que estará disponível no website da associação. Este vídeo contará com informação sobre a doença de Parkinson, assim como testemunhos de doentes e cuidadores que contam na primeira pessoa como é viver com a doença.

Este ano foi marcado por vários avanços e descobertas no tratamento das doenças do movimento, em particular na área da deep brain stimulation, uma área em que Portugal tem sido pioneiro: no início deste ano, o nosso país foi um dos primeiros do mundo a implantar uma nova tecnologia que permite adaptar de forma precisa, e com base nos dados da atividade neurológica, a terapia às necessidades individuais de cada doente.

Este novo sistema de estimulação cerebral profunda permite registar eventos, correlacionando-os com os sinais específicos do cérebro, o que leva a um maior conhecimento sobre a doença e sobre a forma como esta atua no cérebro de cada doente. 

“Este é um avanço muito importante na área de Parkinson e traz uma nova esperança no avanço e no controlo da doença. É para nós muito gratificante saber que Portugal é um dos países na linha da frente do tratamento dos doentes que vivem com Parkinson”, conclui Ana Botas.

A doença de Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa mais comum a nível mundial (depois da doença de Alzheimer). Em Portugal, existem entre 18 a 20 mil doentes de Parkinson e são identificados todos os anos cerca de dois mil novos casos.

Esta doença do movimento pode manifestar-se com vários sintomas, que são diferentes entre os doentes. Os sintomas motores mais comuns incluem lentidão dos movimentos, rigidez muscular, tremor e alterações da postura.

Fonte: Associação Portuguesa de Doentes com Parkinson (APDPk)

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