MORTALIDADE

Doenças do aparelho circulatório mataram mais e mais tarde em 2018

A análise é da Sociedade Portuguesa de Cardiologia que se debruçou sobre o documento do Instituto Nacional de Estatística que destaca as principais causas de morte em Portugal no ano de 2018: as doenças do aparelho circulatório provocaram mais mortes no último ano em análise, mas estas ocorreram numa idade mais avançada.

Doenças do aparelho circulatório mataram mais e mais tarde em 2018

“Numa primeira análise, constata-se que ocorreram mais óbitos (+3,7 por cento), no entanto, os mesmos ocorreram mais tarde: a idade média do óbito foi de 78,5 anos, mais elevada que no ano anterior (78,2 anos). É certo que as doenças do aparelho circulatório continuam a dominar as causas de morte, registando-se um aumento global de 1,7 por cento valor que corresponde a 29 por cento de todas as causas de morte (número absoluto de mortes por doença do aparelho circulatório: 32 936)”, afirma Victor Gil, presidente da SPC.

A taxa de mortalidade por doenças do aparelho circulatório (referente aos residentes no continente e ilhas) foi de 318,3 por 100 mil habitantes (valor mais elevado desde 2008, ainda que com uma diminuição da proporção em relação ao total de mortes – 32,3 por cento em 2008), mas com diminuição da mortalidade prematura (antes dos 70 anos) de que resulta uma diminuição 11,2 para 10,3 do número de anos potenciais de vida perdidos.

Na última década, verifica-se uma estagnação nas taxas de mortalidade por doenças cardiovasculares, contudo com alguma tendência para subida lenta desde 2013.

“Relativamente à situação clínica individualizada, o AVC é a primeira causa de morte em Portugal (9,9 por cento do total de mortes, com taxa bruta de mortalidade de 108,8 por 100 mil habitantes), no entanto, importa ressalvar que tem sido registada uma redução gradual na última década (em 2008: 13,9 por cento)”, acrescenta Victor Gil.

A análise aos dados do enfarte do miocárdio conclui que esta entidade clínica correspondia em 2008 a cinco por cento de todas as mortes. Esta percentagem baixou até 2015, mantendo-se em patamar desde aí (4,1 por cento).

O número de óbitos por enfarte do miocárdio (4 620) aumentou, em 2018, 1,7 por cento em relação ao ano anterior, mas com ligeira diminuição do número absoluto de mortes antes dos 65 anos (854 em 2017 para 822 em 2018).

A mortalidade por enfarte do miocárdio continua a atingir preferencialmente os homens, sendo a idade média do óbito nas mulheres 7,8 anos mais tarde que nos homens (81,4 anos nas mulheres e 73,6 anos para os homens).

“A chamada doença isquémica do coração, provocou 6,4 por cento do total da mortalidade. Esta entidade é, todavia, de mais difícil análise pois deve incluir situações heterogéneas incluindo insuficiência cardíaca que, como entidade, não tem até agora, representação estatística”, afirma Victor Gil.

O presidente da SPC acrescenta ainda que, “os dados agora apresentados estão em linha com outras análises nomeadamente a recentemente efetuada pela SPC com base no ATLAS 2 onde foram comparados os números portugueses com países europeus e na vizinhança da Europa. Nessa análise foi sublinhada a elevada mortalidade por AVC e a relativamente baixa mortalidade por doença coronária, em relação aos países comparadores”.

“A mortalidade cardiovascular continua a dominar as causas de morte em Portugal e dentro dela é o AVC a primeira causa de morte. A mortalidade por Enfarte do Miocárdio mantém-se em patamar”, conclui.

Fonte: Sociedade Portuguesa de Cardiologia

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