MÉDICO

Portugal abaixo da média europeia no acesso aos cuidados de saúde

As barreiras no acesso à saúde estão a diminuir em Portugal, mas ainda existem alguns entraves, sobretudo para a população das áreas rurais, e mantêm-se grandes disparidades entre os escalões de rendimento, segundo um relatório europeu a que a Lusa teve acesso.

Portugal abaixo da média europeia no acesso aos cuidados de saúde

 
O documento, que traça o perfil da saúde em Portugal e integra o relatório de 2019 sobre a Situação da Saúde na União Europeia (UE), indica que 2,3 por cento da população portuguesa comunicou em 2017 necessidades de cuidados médicos não satisfeitas devido ao custo, à distância ou aos tempos de espera.
 
“As necessidades não satisfeitas diminuíram desde 2014, mas mantiveram-se acima da média europeia (1,8 por cento)”. 
 
O relatório refere que os portugueses pagam mais do seu bolso por cuidados ambulatórios e produtos farmacêuticos do que a média da UE.
 
“Os pagamentos diretos desempenham um papel substancial em Portugal, representando 27,5 por cento das despesas totais de saúde, o que ultrapassa substancialmente a média da UE (15,8 por cento). Cerca de 13 por cento do total dos pagamentos diretos referem-se a cuidados ambulatórios e 6,4 por cento a produtos farmacêuticos (em comparação com as médias europeias de três por cento e 5,5 por cento respetivamente), devido sobretudo à comparticipação”.
 
O documento sublinha ainda que “em Portugal, estima-se que cerca de 8,1 por cento dos agregados familiares tiveram despesas de saúde catastróficas em 2016, sendo que são muito mais elevadas para os agregados familiares do quintil de rendimentos mais baixos (cerca de 30 por cento)”.
 
Diz igualmente o relatório que o número de camas de hospital tem vindo a diminuir, sobretudo no âmbito da saúde mental.
 
“Persistem algumas lacunas geográficas na prestação de cuidados de saúde, com os especialistas e os cuidados ambulatórios especializados concentrados nas principais cidades”, adianta.
 
Quanto aos profissionais de saúde, frisa o aumento do número de médicos e enfermeiros de forma constante desde 2000 – com cinco médicos habilitados por cada mil habitantes em 2017 –, mas alerta: “Este número parece alto comparado com a média da UE, de 3,6, mas inclui todos os médicos habilitados que já não exercem a profissão”.

Fonte: Lusa

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