INFERTILIDADE

Sémen de dador apesenta melhores resultados nas IA

Mulheres solteiras, casais de mulheres e casais heterossexuais alcançam melhores resultados em inseminações com sémen de dador do que nos casos de casais heterossexuais com sémen próprio, concluiu um estudo conduzido por um médico português, Sérgio Soares, diretor do IVI Lisboa.

Sémen de dador apesenta melhores resultados nas IA

Com o crescente número de países em que se permite que as mulheres solteiras e casais de mulheres tenham acesso a tratamentos reprodutivos, é necessário continuar a investigar a eficácia dos diferentes tratamentos para esses perfis de pacientes e, assim, poder aconselhá-las sobre os mais indicados para o seu caso.

“Trata-se geralmente de pacientes com um bom prognóstico, já que não há um diagnóstico real de infertilidade, mas uma simples necessidade de gâmetas masculinos para conseguir a gravidez. Na grande maioria, basta uma inseminação artificial (IA) com sémen de dadores”, afirma Sérgio Soares, diretor do IVI Lisboa.

Uma situação semelhante é a que apresentam os casais heterossexuais com infertilidade severa por fator masculino, o que também exigirá sémen de dador para realizarem o objetivo de serem pais.

Para avaliar o rendimento reprodutivo das mulheres destes três grupos, todas com necessidade de um dador masculino, em comparação com a chamada paciente típica do sexo feminino de reprodução assistida – um casal heterossexual que recorre a uma IA com sémen de casal - realizou-se o “Donor IUI is equally effective for heterosexual couples, single women and lesbians, but autologous IUI does worse”. Neste estudo retrospetivo, liderado por este especialista, foi considerado um total de 7 228 ciclos de IA realizados em 3 807 pacientes, entre 2013 e 2016, em 13 clínicas IVI.

Este trabalho mostra como, em faixas etárias com bom prognóstico (≤ 37 anos), o desempenho reprodutivo das mulheres sozinhas, casais de mulheres e casais heterossexuais que recorrem à IA com sémen de dador é significativamente melhor do que o observado em casais heterossexuais submetidos à IA autóloga, mesmo quando este último grupo é composto apenas por casos de ótima qualidade de esperma.

Assim, a taxa de recém-nascidos vivos manteve-se semelhante nos três grupos submetidos à IA com sémen de dador (cerca de 17,6 por cento), mas baixou para 11 por cento no grupo de casais heterossexuais que utilizaram sua própria amostra seminal.

Isso mostra que os casais heterossexuais que recorrem a uma IA autóloga têm maior propensão para ter infertilidade por fator feminino, mesmo quando a sua avaliação da infertilidade não encontra contraindicação para a IA. Esta descoberta não surpreende, uma vez que este é o único grupo com um diagnóstico real de infertilidade que pode ser atribuído a um fator feminino.

“Pressupõe-se que o potencial reprodutivo das mulheres solteiras, casais homossexuais de mulheres e casais heterossexuais que precisam de sémen de dador seja melhor, mas até agora os dados para confirmar essas suposições são escassos”, acrescenta o Sérgio Soares.

Pela primeira vez, foi realizado um estudo com uma amostra grande, que permite obter evidências sólidas de resultados clínicos equivalentes nos três grupos populacionais tratados com sémen de dador, quando as fontes potenciais de viés são controladas de forma adequada. Estas descobertas serão muito úteis para o aconselhamento dos pacientes, independentemente do modelo de família que pretendam criar.

Outro dos resultados obtidos graças a este estudo está associado à taxa de sucesso e à sua relação inversamente proporcional em relação à idade da paciente.

“A idade afeta igualmente todos os grupos estudados, já que nenhum atinge uma taxa de recém-nascidos vivos superior a sete por cento a partir dos 40 anos, algo que nos pode servir de orientação ao decidir o tempo a insistir em busca de uma gravidez espontânea”, conclui.


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