TABACO

Muitos portugueses ainda desconhecem consultas de cessação tabágica

O tabaco é responsável por cerca de 11 por cento de todas as mortes em Portugal. Deixar de fumar pode reverter este número, no entanto, ainda há muitos portugueses que não sabem que existem consultas de cessação tabágica. E que são gratuitas.

Muitos portugueses ainda desconhecem consultas de cessação tabágica

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), morrem cerca de oito milhões de pessoas por ano devido aos cigarros. Por cá, reforça Fernando Barata, pneumologista no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), “11,7 por cento de todas as mortes são atribuídas ao consumo de tabaco”, responsável por muitos dos casos de cancro do pulmão.

Aliás, reforça o especialista, “sabemos que a redução do número de cigarros para metade diminui o risco de cancro do pulmão em somente 25 por cento, e que o consumo de apenas um a quatro cigarros aumenta significativamente o risco de morte por doença cardiovascular”. 

Aqui, o médico é categórico: “é fundamental parar totalmente de fumar para diminuir este risco. A ideia de diminuir o número de cigarros fumados e ficar a fumar ‘só depois das refeições e do café’ não é realista. Em primeiro lugar, porque o tabagismo é uma dependência, e, como tal, se o fumador conseguir diminuir o número de cigarros, passado algum tempo, volta a fumar o mesmo… ou mais!”.

Para muitos, a tarefa não é fácil. E para muitos também há o desconhecimento da existência de consultas de cessação tabágica e do facto destas consultas “não terem taxa moderadora, precisamente por serem abrangidas pela legislação de consulta de toxicodependência”.

As novas formas de tabaco, publicitadas como sendo menos perigosas e uma boa alternativa para quem não consegue parar de fumar, merecem um comentário por parte do especialista.

“Os fumadores que experimentam o cigarro eletrónico, e, mais recentemente, o tabaco aquecido podem ter a sensação que diminuem as suas queixas relacionadas com o tabaco (respiram melhor, têm menos expetoração, o cheiro é menos intenso), mas a verdade é que não sabemos ainda exatamente que doenças causam, uma vez que são necessários vários anos de consumo para as doenças se manifestarem”. Doenças que podem ser diferentes, sublinha.

“Nos Estados Unidos, em julho passado, surgiram os primeiros oito casos de uma nova doença pulmonar grave em utilizadores de cigarros eletrónicos. Em 24 de outubro, já tinham sido comunicados 1 604 casos, com 34 mortes confirmadas. Que doença nova é esta e o que a causa? Não sabemos ainda, mas a verdade é que todos os casos tinham como ponto comum o uso de cigarros eletrónicos. E com estes dispositivos não foi necessário esperar 30 anos para percebermos que fazem mal! Quanto ao tabaco aquecido, ainda não sabemos, mas chegou há menos tempo. Há, no entanto, algo que sabemos: os pulmões foram feitos para respirar ar puro!”, reforça o especialista.

O alerta aqui vai também para os jovens que Fernando Barata tem dúvidas “que saibam que o cigarro eletrónico e o tabaco aquecido também fazem mal. Até porque estes novos produtos, que foram apresentados como alternativas para os fumadores que não conseguem parar de fumar, estão a lançar campanhas publicitárias dirigidas aos jovens”.

O cancro do pulmão continua a ser, hoje, apesar de todos os avanços, um dos que mais mata. O médico confirma que, globalmente, “o cancro do pulmão continua longe das boas percentagens de outros tumores (mama ou próstata). Mas a realidade está em mutação acelerada. A taxa de controlo e a sobrevivência que estamos a registar nos últimos cinco anos mostram valores muito interessantes”. O imprescindível é, confirma, “ter para cada doente uma abordagem personalizada”.

Neste Mês de Sensibilização para o Cancro do Pulmão, a mensagem é só uma: “se fuma, peça ajuda para parar de fumar. Se não fuma, não comece. Para quem tem responsabilidades governativas, centrais ou mais locais, a continuação da implementação de medidas de evicção tabágica é imprescindível. Estamos a evoluir de modo fantástico no diagnóstico e tratamento do cancro do pulmão, mas antes de se envolver no diagnóstico ou querer saber das modernas opções terapêuticas, evite em si ou no seu amigo ou família ter cancro do pulmão. Neste mês, deixe de fumar ou contribua para que o seu amigo deixe de fumar”.


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