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Distúrbios do sono estão a aumentar em diferentes faixas etárias

O número de pessoas, de diferentes faixas etárias, que apresentam distúrbios do sono tem aumentado vertiginosamente em diversas partes do mundo nas últimas décadas.

Distúrbios do sono estão a aumentar em diferentes faixas etárias

Na cidade de São Paulo, no Brasil, por exemplo, uma em cada três pessoas tem apneia obstrutiva do sono, condição em que a respiração para e volta diversas vezes enquanto se está a dormir.

Os dados fazem parte do estudo Epissono São Paulo, coordenada por Mónica Levy Andersen, investigadora do Instituto do Sono da Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp), no Brasil.

“Conhecemos mais de 80 distúrbios do sono, como a apneia obstrutiva, insónia, bruxismo, sonambulismo e parassonia [caracterizada por movimentos anormais durante o sono], que são os mais prevalentes”, disse a investigadora.

“Além de preexistir em algumas pessoas, esses distúrbios ainda podem ser agravados pelo ritmo de vida da sociedade atual, denominada 24/7/365 - em que as pessoas não estão bem durante as 24 horas dos sete dias da semana e dos 365 dias do ano”.

A cientista destaca que a “geração Z” - composta por pessoas nascidas entre meados dos anos 1990 até o início dos anos 2010 - é a mais acometida pela falta de sono.

Algumas das razões para isso seriam que essa geração foi diretamente atingida pela quarta e última grande onda causadora da privação do sono na sociedade moderna: a criação da web e a popularização da internet, a partir de 1995.

As outras três ondas foram a Revolução Industrial - com o surgimento de mais um turno de trabalho -, o advento da luz elétrica, em 1879, e o advento da televisão, na década de 1920.

“Nada foi mais revolucionário e teve um impacto tão grande na privação do sono como a internet, e a geração Z é a mais permeada por ela”, afirmou a investigadora.

É nessa geração que também se observa o maior consumo de substâncias para inibir ou retardar o sono, apontou a pesquisadora. Entre os jovens tem crescido o consumo de bebidas energéticas, por exemplo, juntamente com bebidas alcoólicas.

As bebidas energéticas têm poucas substâncias estimulantes, como a taurina e a cafeína. O efeito delas na privação do sono, contudo, é potencializado pela ação do álcool das bebidas destiladas com as quais são misturadas, explicou.

“O álcool priva a execução dos sonhos, que ocorrem durante quatro ou seis vezes durante o sono e têm duração total de, mais ou menos, 90 minutos. E os sonhos são importantes porque proporcionam o bem-estar físico e psicológico. Mas não se sabe ainda qual o mecanismo que faz com que o álcool prive as pessoas dos sonhos”, afirmou.

As crianças representam outra parcela da população que tem sido muito acometida pela privação do sono e que mais tem preocupado os pesquisadores da área.

Mónica Levy Andersen citou estudos que apontam que 60 por cento das crianças são privadas de sono atualmente. Entre as principais causas estariam o uso excessivo de dispositivos eletrónicos, como tablets e smartphones.

“Uma criança com cinco a sete anos de idade deveria dormir entre nove e 11 horas por noite, mas a maioria dorme muito menos do que isso” disse. Algumas das consequências do sono insuficiente em crianças são um pior rendimento escolar, aumento de peso, risco de desenvolver doenças cardiometabólicas na vida adulta e alterações comportamentais, como hiperatividade.

Qualquer que seja a idade, além de alterar o humor, afetar a memória e a atenção e aumentar a predisposição a doenças cardiometabólicas, como a diabetes, a privação de sono pode afetar o sistema imunológico.


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