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Transplantados pulmonares alertam para falta de acesso à reabilitação

No âmbito do Dia Europeu da Doação de Órgãos e Transplante, que se assinala no próximo dia 12 de outubro, a Associação de Transplantados Pulmonares de Portugal (ATPP) alerta para a falta de acesso à Reabilitação Respiratória, uma terapia determinante na recuperação pós-transplante de pulmão.

Transplantados pulmonares alertam para falta de acesso à reabilitação

Existe ainda uma resposta insuficiente da parte dos organismos públicos, com listas de espera longas que acarretam custos avultados a quem opta por realizar o tratamento no privado.

Em 2017, foram feitos 34 transplantes pulmonares, mais do dobro de 2015. Este aumento do número de transplantes, apesar de positivo, torna difícil a resposta após a alta hospitalar.

O Centro Hospitalar Lisboa Central (CHLC) é o único onde são efetuados os transplantes pulmonares em Portugal. “Apesar do número de transplantados pulmonares em 2018 não superou o número do ano anterior, 2019 está a superar as expectativas”, afirma Manuel Francisco presidente da ATPP.

“A reabilitação respiratória é um tratamento recomendado no pré e no pós-transplante, mas nem todos os transplantados pulmonares têm acesso a esta terapia, principalmente após a alta hospitalar.

As listas de espera são demasiado elevadas para quem precisa de cuidados diários a este nível e o SNS não consegue dar uma resposta eficaz”, acrescenta o presidente da ATPP.

“Um maior envolvimento e sensibilização da comunidade médica e dos prestadores de saúde na comunidade para esta problemática torna-se imprescindível, de forma a aumentar a qualidade de vida dos transplantados pulmonares, através de uma referenciação mais eficaz para centros de reabilitação respiratória”, conclui o presidente da associação. 

O transplante pulmonar está indicado em doentes com doença pulmonar crónica terminal sob terapêutica médica otimizada e que não apresentem contraindicações. Devem ser considerados os doentes que tenham uma elevada morbilidade por doença pulmonar, mas também com grande probabilidade de sobrevida após o transplante.

De acordo com dados apresentados pelo último relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias, o Programa de Transplante Pulmonar tem crescido de forma consistente nos últimos dez anos.

Num total de 208 transplantes pulmonares, 192 foram realizados desde 2008. Tem-se verificado um aumento gradual de transplantes e, em 2017, foram efetuados 34 (3,4/milhão de habitantes) colocando o CHLC ao nível daqueles que mais transplantam a nível internacional.

O último Relatório de análise da capacidade instalada de reabilitação respiratória nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde, elaborado pela Direção-Geral da Saúde, conclui que os programas de reabilitação respiratória atualmente existentes são insuficientes para dar resposta à população de doentes elegíveis para beneficiar deste tratamento.

Entre as causas apontadas para esta insuficiência, destacam-se o número reduzido de centros, a sua centralização nas instituições hospitalares e, em muitos casos, na sua fraca capacidade instalada, no que se refere à captação de doentes.

No mesmo relatório, considera-se necessária uma maior capacidade de resposta ao nível da oferta de reabilitação respiratória em Portugal, embora o reforço dos serviços existentes e/ou sua ampliação possa representar uma dificuldade de natureza orçamental, face aos recursos necessários (humanos, financeiros e de infraestruturas).

Para fazer face às necessidades previsíveis, seria necessária uma mudança de paradigma neste tipo de reabilitação em Portugal, com evolução para a prestação de reabilitação respiratória na comunidade, com outros parceiros, possibilitando a prestação deste serviço em contextos alternativos mais próximos do doente, tais como os Cuidados de Saúde Primários, a comunidade ou mesmo o próprio domicílio, com uma interação continuada entre o doente, o seu médico e as equipas de reabilitação.

Fonte: Público

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