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Aumenta o conhecimento da estrutura molecular dos cremes para a pele

Cientistas internacionais afirmam ter descoberto estrutura na escala molecular dos cremes para a pele. “A estabilidade a longo prazo e as propriedades clínicas de um creme são determinadas pela sua estrutura fundamental,” explica a professora Delaram Ahmadi, do Kings College de Londres, no Reino Unido. “Se pudermos entender a microestrutura química do creme e relacionar isso com a estrutura da pele, talvez possamos reparar melhor a barreira comprometida da pele”, acrescentou.

Aumenta o conhecimento da estrutura molecular dos cremes para a pele

Investigadores académicos e da indústria têm analisado a estrutura dessas emulsões com base principalmente em medições indiretas. Mas Ahmadi adotou uma abordagem direta, analisando o creme usando técnicas de espalhamento de raios X e de neutrões para determinar como os ingredientes se dispersam sobre a pele.

A teoria indicava que um creme é uma “pilha” de lamelas, ou membranas, compostas de surfactantes (saponáceos) e co-surfactantes que mantêm gotículas de óleo dispersas na água (ou vice-versa).

Para revelar a verdadeira estrutura de um creme, os cientistas começaram com uma formulação de creme aquoso da Farmacopeia Britânica, que contém dois co-surfactantes e um surfactante de dodecil sulfato de sódio (SDS). Eles também incorporaram um diol, conhecido por atuar como conservante.

Um por um, Ahmadi substituiu cada ingrediente por versões isotópicas mais pesadas. Após cada substituição, foram disparados raios X e neutrões sobre as amostras marcadas com isótopos e, a partir dos padrões resultantes da dispersão, determinada a localização de cada ingrediente e o agregado que este formava no interior do creme.

Os resultados foram surpreendentes. Embora os co-surfactantes apareçam nas camadas lamelares, como previsto, o surfactante não estava lá. “O perfil do pico de surfactante sugere que a molécula forma micelas no creme”, conta Ahmadi.

Além disso, o conservante não foi encontrado na camada aquosa, onde os cientistas sempre presumiram que este estaria - na verdade, o surfactante vai ocupar o seu espaço nas lamelas.

Os conservantes têm um efeito antimicrobiano, prolongando assim o prazo de validade do produto. Os formuladores têm assumido que, para ser um antimicrobiano eficaz, o conservante deveria ser dissolvido na camada aquosa. Assim, Ahmadi afirma que as uas descobertas podem significar que os cremes são essencialmente autoconserváveis.

Agora, a equipa está a realizar testes em computador para modelar o comportamento dos conservantes num sistema de duas camadas, como um creme, para compreender por que estão na camada de membrana. E querem entender melhor a estrutura das micelas surfactantes dispersas nas camadas.

Outro objetivo é estudar cremes diferentes e forcar-se nos ingredientes atualmente usados pela indústria.


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