MORTALIDADE

Vegetarianos e vegans têm risco 20% maior de morrer de enfarte

Uma dieta baseada em produtos de origem vegetal está associada a uma série de benefícios de saúde, além de ser benéfica para o planeta. Contudo, um novo estudo alerta para os riscos de saúde relacionados com o consumo das dietas vegan e vegetariana.

Vegetarianos e vegans têm risco 20% maior de morrer de enfarte

Investigadores internacionais descobriram que regimes alimentares que excluem a ingestão de carne aumentam o risco de sofrer enfartes e acidentes vasculares cerebrais (AVC).

O efeito ocorre porque esse tipo de alimentação reduz o consumo de determinados nutrientes, encontrados apenas – ou mais facilmente – em produtos de origem animal, como a vitamina B12 e vitamina D. Outra ligação com o risco é a menor quantidade de colesterol circulante no organismo.

O colesterol circulante é composto por colesterol produzido pelo fígado (70 a 80 por cento do colesterol total do organismo) e é fundamental para o funcionamento do corpo, incluindo produção de hormonas, vitamina D, ácidos biliares e cortisona (que atua na capacidade anti-inflamatória e imunossupressora).

“O nosso estudo sugere que adotar uma dieta vegan ou vegetariana pode não ser universalmente benéfico para todos os resultados de saúde”, comentou Stephen Burgess, principal autor da pesquisa, ao jornal britânico The Telegraph.

Apesar disso, o estudo, publicado no British Medical Journal, indica que dietas baseadas em produtos de origem vegetal aumentam o risco de problemas cardíacos em 22 por cento. Para aqueles que comem apenas peixe, o valor é de 13 por cento.

Para chegar a este resultado, cientistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, analisaram os dados de 48 188 indivíduos, entre 1993 e 2001, que não tinham histórico de doença cardíaca ou AVC.

Os participantes responderam a questionários sobre estilo de vida, histórico médico e dieta. Com base nessas informações, descobriu-se que 24 428 pessoas consumiam uma dieta carnívora, 16 254 eram vegans ou vegetarianas e 7 506 pescetarianas (vegetariano que come peixe). Em 2010, os cientistas reaplicaram os questionários para verificar se houve alguma mudança na dieta.

Os participantes continuaram a ser acompanhados até 2016. Durante o estudo, a equipa registou a ocorrência de 2 820 casos de doença cardíaca e 1 072 de AVC.

Depois de excluir fatores de riscos para os dois problemas de saúde, a análise dos dados mostrou que os vegans e vegetarianos estavam em maior risco de sofrerem ataques cardíacos e AVC hemorrágicos.

Apesar dos resultados, os investigadores ressaltam a necessidade de realizar novos estudos para confirmar as descobertas.


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