GRIPE

Descoberto calcanhar de Aquiles do vírus da gripe

A descoberta de um “alvo oculto” na superfície do hipervariável vírus influenza A pode levar a melhores formas de prevenir e tratar a gripe. Como os vírus influenza A - H1N1 e H3N2, por exemplo - sofrem mutações contínuas, as vacinas às vezes fornecem proteção variável ou incompleta e precisam de atualizações anuais.

Descoberto calcanhar de Aquiles do vírus da gripe

O vírus influenza infeta as células do nosso corpo usando um ponto na sua superfície, que funciona como uma espécie de âncora. Os anticorpos neutralizantes, naturais ou das vacinas, visam esse ponto, que está localizado na “cabeça” da glicoproteína de hemaglutinina globular (HA). Mas, como esta sofre mutação rapidamente, o vírus da gripe geralmente evita a deteção pelo sistema imunológico.

O que a investigadora Sandhya Bangaru e os seus colegas da Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos, descobriram agora é que existe um anticorpo amplamente protetor que ocorre naturalmente, que pode agir contra essa variabilidade do vírus da gripe.

A eficácia do anticorpo resulta da sua capacidade de encontrar e ligar-se a uma superfície previamente “oculta”, perto do sítio de ligação do vírus, e que permanece fortemente conservada (com pouca variação) entre diversos subtipos de influenza, incluindo gripes de aves com potencial pandémico.

“Ficámos surpresos e entusiasmados ao encontrar este novo local de vulnerabilidade na superfície do vírus da gripe, que fomos capazes de identificar ao criar centenas de anticorpos diferentes de indivíduos imunizados”, explicou o professor James Crowe, coordenador da pesquisa.

Isolado de um dador com uma extensa história de vacinação contra a influenza, o anticorpo, chamado FluA-20, protegeu animais de laboratório de quatro cepas da gripe que causam doenças em humanos.

Expor e direcionar essa sequência proteica pode permitir a criação de vacinas e tratamentos mais amplos, mais eficazes e mais duradouros, disse Crowe.

“A resposta natural do corpo humano à gripe está a mostrar-nos o caminho para uma vacina universal contra a doença”, concluiu o investigador.

Fonte: Diário da Saúde

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