ARTRITE

Upadacitinib em monoterapia com boas perspetivas na artrite reumatoide

O terceiro estudo do programa SELECT, um programa robusto que avalia upadacitinib em monoterapia no tratamento de doentes com artrite reumatoide ativa moderada a grave e com resposta inadequada a metotrexato, recentemente publicado na revista The Lancet, mostra a potencialidade do fármaco no tratamento da doença.

Upadacitinib em monoterapia com boas perspetivas na artrite reumatoide

De acordo com este estudo, à semana 14 de tratamento, ambas as doses de toma diária única de upadacitinib (15 mg e 30 mg) alcançaram os objetivos primários, com taxas significativamente superiores de ACR20 e baixa atividade da doença (LDA), quando comparado com terapêutica estável contínua com metotrexato.

Ambas as doses alcançaram também todos os principais objetivos secundários, incluindo a proporção de doentes que alcançou remissão e melhorias na função física (definidas como uma alteração no HAQ-DI em relação aos valores iniciais).

Upadacitinib, um inibidor seletivo oral de JAK1, não está aprovado pelas autoridades regulamentares e a sua segurança e eficácia não foram ainda estabelecidas.

“Estes resultados mostram que upadacitinib em monoterapia pode proporcionar respostas clínicas significativas, incluindo baixa atividade da doença, remissão e melhoria significativas na função física”, afirmou o Josef S. Smolen, do Departamento de Medicina, Divisão de Reumatologia, da Faculdade de Medicina de Viena, Áustria, e primeiro autor da publicação.

“Os resultados deste estudo suportam o potencial de upadacitinib como opção terapêutica importante para doentes com artrite reumatoide”, sublinha.

A artrite reumatoide é uma doença crónica e debilitante que afeta cerca de 23,7 milhões de pessoas em todo o mundo.

O metotrexato é frequentemente utilizado como terapêutica de primeira linha na artrite reumatoide, mas muitos doentes não respondem à terapêutica ou são intolerantes a metotrexato , o que os coloca em risco de progressão da doença.

Após uma resposta inadequada a metotrexato em monoterapia, este é frequentemente utilizado como terapêutica concomitante com DMARDs biológicos, de modo a otimizar a eficácia destes.

“Os resultados publicados na The Lancet são um incentivo para nós”, afirmou Carlo Pasetto, diretor geral da AbbVie Portugal. “Os dados deste estudo, o terceiro dos seis que constituem o programa de ensaios clínicos SELECT na artrite reumatoide, que avalia o potencial de upadacitinib nesta doença, ajudam a aprofundar o nosso conhecimento acerca da natureza complexa da artrite reumatoide”. 

Os resultados mostraram que, à semana 14, 68 e 71 por cento dos doentes que passaram para upadacitinib 15 mg e 30 mg em monoterapia, respetivamente, alcançaram ACR20, quando comparado a 41 por cento dos doentes que continuou o tratamento com metotrexato (p<0,0001 para ambas as doses).

Foi alcançada ainda baixa atividade da doença (definida como DAS28[PCR] ≤ 3,2) em 45 por cento dos doentes tratados com upadacitinib 15 mg e em 53 por cento dos doentes tratados com upadacitinib 30 mg à semana 14.
O estudo mostrou também que uma proporção significativamente superior de doentes tratados com upadacitinib, nos grupos de ambas as doses, alcançou remissão clínica (definida como DAS28[PCR] < 2,6), ACR50 e ACR70 à semana 14, em comparação com os doentes que continuaram a terapêutica com metotrexato.

Observou-se ainda que 28 e 41 por cento dos doentes tratados com upadacitinib nos grupos de 15 mg e 30 mg, respetivamente, alcançaram remissão clínica (definida como DAS28[PCR] < 2,6), comparativamente a oito por cento dos doentes que continuou com metotrexato (p≤0,0001 para ambas as doses).

Foi alcançada ACR50 e ACR70 em 42 e 23 por cento, e em 52 e 33 por cento dos doentes nos grupos de upadacitinib 15 mg e 30 mg, respetivamente, vs. 15 e três por cento dos doentes que continuaram a terapêutica com metotrexato.

No estudo, o perfil de segurança de upadacitinib foi consistente com o registado anteriormente nos estudos de fase 3 do SELECT. Verificou-se a ocorrência de acontecimentos adversos graves em cinco por cento e três por cento dos doentes nos grupos de upadacitinib 15 mg / 30 mg, respetivamente, em comparação com três por cento no grupo de metotrexato.

Verificou-se a ocorrência de três acontecimentos adversos cardiovasculares major (MACE) em doentes com fatores de risco cardiovascular (CV) conhecidos (um no grupo de 15 mg e dois no grupo de 30 mg).

Um MACE no grupo de 15 mg foi um AVC hemorrágico fatal causado pela rotura de um aneurisma. Não foram notificadas outras mortes. Foi notificada uma embolia pulmonar (adjudicada) no grupo de 15 mg, num doente com múltiplos fatores de risco conhecidos.

Foram notificadas três neoplasias no estudo, uma no grupo de metotrexato e duas no grupo de 15 mg. Um doente no grupo de upadacitinib 15 mg e um no grupo de metotrexato registaram uma infeção grave.

Foi ainda notificado herpes zoster num (um por cento) doente no grupo de metotrexato, três (um por cento) no grupo de 15 mg, e seis (três por cento) no grupo de 30 mg.

Fonte: press release

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