DIAGNÓSTICO

IA pode ser mais eficiente a detetar cancro do pulmão que radiologia

De acordo com uma investigação publicada na revista Nature Medicine, uma nova tecnologia de inteligência artificial pode vir a facilitar o diagnóstico precoce do cancro do pulmão, um tipo de tumor que mata mais de um milhão de pessoas em todo o mundo todos os anos.

IA pode ser mais eficiente a detetar cancro do pulmão que radiologia

Segundo os autores do estudo, este sistema é bastante preciso e baseia-se na “aprendizagem profunda” para deteção deste tipo de cancro. No entanto, os resultados apresentados ainda têm de ser validados clinicamente em grandes populações de doentes, ressalvam os cientistas.

No entanto, explicam que a ‘aprendizagem profunda’ (ou ‘Deep learning’) é um ramo da inteligência artificial em que os computadores “aprendem” a partir de exemplos e vastas quantidades de dados, criando padrões de análise de informação cada vez mais complexos e que permitem imitar o funcionamento do cérebro.

Tendo em conta esses padrões de análise, os investigadores conseguiram desenvolver um algoritmo capaz de detetar nódulos pulmonares malignos, muitas vezes minúsculos, a partir de uma Tomografia Axial Computorizada (TAC) ao tórax, com uma precisão de deteção igual ou superior à dos radiologistas.

De acordo com os autores deste estudo, foram introduzidas mais de 42 mil imagens de TAC e em cerca de sete mil casos de testes, o sistema de inteligência artificial foi capaz de detetar os nódulos malignos com maior precisão, quando comparada à análise dos especialistas.

Por outro lado, este sistema de inteligência artificial conseguiu ainda produzir menos falsos-positivos e menos tumores falsos-negativos.

Mozziyar Etemadi, professor de Medicina e Engenharia na Universidade Northwestern e um dos autores do artigo científico publicado sobre o estudo, explica que os radiologistas examinam geralmente centenas de imagens bidimensionais numa única tomografia computadorizada, enquanto o novo sistema permite fazer ‘instantâneos’ de análise em três dimensões (3D).

“A inteligência artificial em 3D pode ser muito mais sensível na sua capacidade de detetar precocemente o cancro do pulmão do que o olho humano que analisa imagens bidimensionais”, explica.

Já Sharavya Shetty, da divisão de inteligência artificial da Google, considera que “o sistema agora apresentado mostra como a inteligência artificial pode ser utilizada para melhorar e otimizar o processo de triagem realizada através de TAC com doses baixas de radiação e os resultados são prometedores”.

A Universidade Northwestern acrescenta que os exames torácicos servem para identificar o tumor e reduzir as taxas de mortalidade, no entanto, produzem altas taxas de erro.

O novo sistema, por seu lado, permite categorizar uma lesão com mais especificidade porque, não só permite diagnosticar melhor uma pessoa com cancro, como aferir se a pessoa não tem cancro e poupá-la a uma biopsia pulmonar invasiva, cara e com riscos.

Fonte: Observador

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