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Vacinação da gripe é um bom exemplo da segurança e eficácia

Todos os anos são administradas mais de 800 milhões de vacinas da gripe, o que a torna como “um bom exemplo da segurança e eficácia” das vacinas, defendem especialistas.

Vacinação da gripe é um bom exemplo da segurança e eficácia

Numa sessão para assinalar a Semana Europeia da Vacinação, que começa esta quarta-feira, 24 de abril, o pneumologista Filipe Froes lembrou que, todos os anos, as vacinas da gripe administradas são o equivalente a duas vezes toda a população do continente europeu.

“A vacina da gripe é também um bom exemplo da segurança vacinal. As vacinas são seguras. Todos os anos, 800 milhões a mil milhões são feitas para serem administradas. Em dez anos é como se toda a população do planeta tivesse sido vacinada. E o que se ouve acerca de complicações? Uma dor no braço, um pouco de febre às vezes, que é a resposta do nosso sistema imunitário à vacina. Não há nada administrado a tanta gente durante tanto tempo e num intervalo tão curto, como a vacina da gripe”, comentou o pneumologista.

Nos últimos dez a 15 anos, inverteu-se o panorama de um vírus que antes era desvalorizado e hoje o vírus da gripe é “o número um em termos de carga da doença no continente europeu”, segundo dados do Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC, na sigla inglesa) e da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Aliás, os dados da OMS mostram que, todos os anos, a gripe atinge dez a 20 por cento da população mundial, sendo responsável por até cinco milhões de casos de doença grave anualmente e por cerca de 650 mil mortes, apesar de ser uma “doença desvalorizada”, como referiu Filipe Froes.

Os dados internacionais indicam também que a vacinação é uma das formas mais eficazes de se evitar doenças, nomeadamente a gripe, sendo as vacinas responsáveis pela prevenção de entre dois a três milhões de mortes por ano. Outros 1,5 milhões de óbitos podiam ter sido evitados com melhor cobertura vacinal.

Em relação à gripe, o pneumologista Filipe Froes frisa que é a principal doença do adulto que pode ser prevenida pela vacinação.

Sendo um vírus com “capacidade permanente de mudar de bilhete de identidade”, de alterar características, a vacina tem de ser ajustada anualmente e, por isso, a imunização é necessária todos os anos.

Atualmente, em Portugal, os grupos prioritários de vacinação são as pessoas com 65 ou mais anos de idade, os doentes crónicos e os profissionais de saúde. Mas a vacina é fortemente recomendada também a grávidas e aconselhada a pessoas entre os 60 e os 64 anos.

Cátia Caneiras, da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, sublinha que Portugal tem um dos melhores desempenhos no que respeita à perceção das pessoas sobre as vacina, mas sobretudo quando se refere à vacinação em crianças.

“Os portugueses são sensíveis a vacinar os seus filhos, mas cada vez mais há a importância de sensibilizar para a vacinação dos adultos e inclusivamente para os profissionais de saúde”, afirmou durante a sessão que também assinalou os dez anos do Vacinómetro, projeto que monitoriza, em tempo real, a taxa de vacinação contra a gripe em grupos prioritários.

Aliás, a vacinação contra a gripe entre profissionais de saúde desceu na última época gripal, apesar de já ser tradicionalmente das taxas mais baixas entre os grupos a quem a vacina está recomendada.

Nesta época gripal, houve um declínio, ainda que ligeiro, na vacinação entre os profissionais de saúde com contacto direito com doentes, passando de uma taxa superior a 55 por cento de vacinação para 52 por cento em 2018/2019.

Os profissionais de saúde foram mesmo o único grupo considerado prioritário a ter uma taxa de vacinação mais reduzida do que na época gripal anterior.

Cátia Caneiras lembrou que os profissionais de saúde têm “uma tripla responsabilidade”: de se proteger, de proteger os que cuidam e de recomendar a vacina e ser uma referência.

Fonte: Lusa

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