SEXUALIDADE

Estudo revela que ainda há muitos jovens que não usam preservativos

Mais de um terço dos jovens inquiridos num estudo nacional relatou não ter usado preservativo na última relação sexual e 14,5 por cento disse ter tido relações sexuais associadas ao consumo de álcool ou drogas.

Estudo revela que ainda há muitos jovens que não usam preservativos

“Uma minoria significativa” reportou não ter usado preservativo na última relação sexual (34,1 por cento), sublinha o estudo “Comportamentos sexuais de risco nos adolescentes”, divulgado a propósito do 10.º Congresso Internacional de Psicologia da Criança e do Adolescente, que vai decorre esta quarta e quinta-feira, 10 e 11 de abril, em Lisboa.

A investigação, a que a agência Lusa teve acesso, concluiu que são os rapazes que mais frequentemente usam preservativo, que têm relações sexuais associadas ao consumo de álcool ou drogas e que não têm a vacina contra o vírus do papiloma humano (HPV).

O estudo realizado em Portugal faz parte do Health Behaviour in School Aged Children (HBSC) 2018, um inquérito realizado de quatro em quatro anos em 48 países, em colaboração com a Organização Mundial de Saúde (OMS), que pretende estudar os comportamentos dos adolescentes nos seus contextos de vida e a sua influência na sua saúde/bem-estar.

Segundo os dados recolhidos em Portugal, os jovens mais novos, do 8.º ano, são os que mais frequentemente têm relações sexuais associadas ao consumo de álcool ou drogas, realça o estudo, advertindo que estes resultados “podem ter implicações significativas na alteração das políticas de educação e de saúde, direcionando-as para o desenvolvimento de competências pessoais e sociais nas várias estruturas que servem de apoio aos adolescentes portugueses”.

Os autores do estudo apontam como justificações possíveis para estes resultados “o desinvestimento na educação sexual”, a redução do número de campanhas de prevenção e o facto de a infeção se ter passado a considerar uma doença crónica e não uma “sentença de morte”, o que “poderá estar a desvalorizar a importância da proteção”.

O estudo “Comportamentos sexuais de risco nos adolescentes” abrangeu 5 695 adolescentes, 53,9 por cento dos quais raparigas, com uma média de idades de 15,46 anos, a frequentarem o 8.º ano, o 10.º ano ou o 12.º ano.

A maioria dos adolescentes inquiridos mencionou já ter tido um relacionamento amoroso, apesar de não ter no momento (48,4 por cento), sobretudo os rapazes (51,8 por cento) e os adolescentes do 8.º ano (50,9 por cento).

Segundo o estudo, a maior parte disse não ter tido relações sexuais (77 por cento). Dos que referiram já ter tido, contaram que a primeira relação sexual foi aos 15 anos.

Os dados indicam também que 85,6 por cento dos inquiridos não realizaram o teste de VIH e 84,7 por cento não têm a vacina contra o HPV.

Segundo os últimos dados estatísticos da UNICEF, cerca de 30 jovens entre os 15 e os 19 anos foram infetados com o VIH/SIDA, por hora no mundo em 2017, números “particularmente alarmantes se se considerar que nos restantes grupos etários a epidemia estará a diminuir”.

Em Portugal, a situação é também preocupante, pois cerca de um terço dos infetados com o VIH/SIDA tem menos de 30 anos e cerca de 16 por cento tem entre 15 e 24 anos.

O estudo lembra que o melhor meio de evitar a infeção VIH/SIDA e outras infeções sexualmente transmissíveis continua a ser o preservativo.

Fonte: Lusa

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