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Risco de enfarte e cancro maior para populações mais carenciadas

O estudo europeu “Lifepath” permitiu concluir que as condições socioeconómicas das populações têm uma relação direta com o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e alguns tipos de cancro. Esta investigação contou com a colaboração do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP).

Risco de enfarte e cancro maior para populações mais carenciadas

Com esta análise, os investidores envolvidos neste consórcio europeu concluíram que as pessoas de classes sociais mais baixas apresentam maiores níveis de inflamação crónica, vendo elevado o risco de desenvolver doenças cardiovasculares, como o enfarte, alguns tipos de cancro[/url, [url=/pt/toda-a-saude/saude-humana/a-diabetes]diabetes ou acidentes vasculares cerebrais (AVC).

“O objetivo do estudo foi perceber se a classe social influenciava os níveis de inflamação crónica. Esse interesse pela inflamação tem a ver com o facto da grande parte das doenças que estão entre as principais causas de morte terem uma forte componente inflamatória. Tanto a doença cardiovascular, como vários cancros[/url a [url=/pt/toda-a-saude/saude-humana/a-diabetes]diabetes ”, explicou Ana Isabel Ribeiro, investigadora do ISPUP, em declarações ao jornal Público.

A investigação, que contou com a colaboração de especialistas do Reino Unido, Irlanda e Suíça, analisou dados de 18 349 pessoas com idades entre os 50 e os 75 anos. Os resultados foram publicados na revista Scientific Reports.

Para além da influência da classe social na inflamação crónica, os investigadores quiseram saber se, em sociedades mais desiguais, estes níveis de inflamação seriam maiores.

“A nossa premissa era se em sociedades com diferenças maiores entre ricos e pobres, como, por exemplo, a portuguesa, se isso teria um efeito sobre os níveis de inflamação da população. Neste estudo, confirmamos estas hipóteses”, referiu a investigadora do ISPUP.

“Os indivíduos de classe social mais baixa tinham maiores níveis de inflamação e foi precisamente em Portugal, o país com maior diferença entre ricos e pobres [entre os quatro analisados], que essa diferença de inflamação entre a classe social mais alta e a classe social mais baixa foi maior”, concluiu.

Para chegar a estas conclusões, os investigadores descobriram que existe uma relação entre os níveis de proteína C-reativa, usualmente utilizada para medir os níveis de inflamação crónica através do sangue, e as condições socioeconómicas do indivíduo.

Este biomarcador – a proteína C-reativa – é produzido pelo fígado em situação de inflamação ou infeção. Quando este existe em níveis muito elevados, há o risco de se desenvolverem doenças de origem inflamatória.

De acordo com a investigadora, Ana Isabel Ribeiro, este estudo vem mostrar que é necessário atuar sobre estes fatores de risco. “Mostra que ser pobre, quando não existem mecanismos que atenuem esses efeitos, também faz mal à saúde”, explicou a investigadora.

Fonte: Público

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