DIABETES

Estudo da vida real confirma efeitos benéficos do liraglutido

O estudo Lira-SPD, que incluiu 11 hospitais e centros de investigação de Norte a Sul do país, avaliou a efetividade da terapêutica com liraglutido em pessoas com diabetes tipo 2 e verificou que, além de eficaz no controlo da glicémia, este medicamento antidiabético demonstrou ainda benefícios na redução do peso corporal e da pressão arterial, bem como a melhoria do perfil lipídico.

Estudo da vida real confirma efeitos benéficos do liraglutido

O liraglutido é um agonista dos recetores de GLP-1 (peptido-1 semelhante ao glucagom) humano com indicação terapêutica aprovada na prevenção de eventos cardiovasculares, para além da melhoria dos níveis de glicemia em pessoas com diabetes tipo 2.

O estudo Lira-SPD analisou 183 pessoas com diabetes tipo 2 (60,7 por cento mulheres) antes e depois de 12 meses sob terapêutica com liraglutido (em doses de 1,2 mg ou 1,8 mg) e a ser acompanhadas em 11 centros de investigação nacionais com consulta de diabetes.

“Este estudo, que traduz a prática clínica nacional, espelha a mais-valia da introdução deste fármaco, uma vez que comprova que os seus benefícios não se restringem só ao controlo da hiperglicemia da diabetes, promovendo a perda de peso, a melhoria da pressão arterial e do perfil lipídico”, revela José Silva Nunes, investigador principal deste estudo promovido pela Sociedade Portuguesa de Diabetologia (SPD).

O presidente da SPD, Rui Duarte, acrescenta que “é muito importante a realização e apresentação deste tipo de estudos feitos em contexto de prática clínica real, pois põem à prova os resultados observados em ensaios clínicos e ajudam a comprovar com maior precisão a eficácia efetiva dos fármacos no tratamento dos doentes, bem como eventuais benefícios secundários da terapêutica”.

Este estudo da SPD foi apresentado no 15.º Congresso Português da Diabetes, que decorreu de 8 a 10 de março no Centro de Congressos do Algarve, no Hotel Tivoli Marina, em Vilamoura.

O estudo Lira-SPD é um estudo clínico multicêntrico, observacional e retrospetivo desenvolvido pela SPD com o objetivo de avaliar a efetividade da terapêutica com liraglutido em pessoas com diabetes tipo 2, na prática clínica real.

Neste estudo, foram estudadas 183 pessoas com diabetes tipo 2 (60,7 por cento mulheres), com uma idade média de 60,5 anos de idade e diabetes há 14,7 anos, em média, uma HbA1c de 8.4±1.5%, IMC de 36.3±6.3 kg/m2 (refletindo um peso corporal de 96.3±18.6 kg) e um perímetro abdominal de 114.2±12.6 cm,  uma pressão arterial sistólica de142±20.3 mmHg, e diastólica de 81.6±12.8 mmHg, um colesterol total de 170.3±43 mg/dL, LDL-c de 101.8±37 mg/dL, HDL-c de 43.2±10.7 mg/dL, e triglicéridos de 165.5±98.6 mg/dL.

Estas pessoas foram estudadas antes e depois de 12 meses sob terapêutica com liraglutido (em doses de 1,2 mg ou 1,8 mg) e a ser acompanhadas em 11 centros de investigação nacionais com consulta de diabetes.

Antes da introdução da terapêutica com liraglutido, 162 doentes (88,5 por cento) estavam a ser tratados com metformina, 42 (23 por cento) com sulfonilureias, 19 (10,4 por cento) com acarbose, sete (3,8 por cento) com pioglitazona, 117 (63,9 por cento) com inibidores da DPP4 (DPP-4i), seis (3,3 por cento) com inibidores da SGLT2 e 104 (56,8 por cento) com insulina. Com exceção dos doentes previamente medicados com DPP-4i, aquando da introdução do liraglutido, todos os restantes pacientes mantiveram a terapêutica antidiabética em curso.

Durante o estudo 119 doentes (65 por cento) foram tratados com 1,8 mg/dia de liraglutido e os demais com 1,2 mg/dia. Após 12 meses, verificou-se uma diminuição significativa da HbA1c (-0,7 ± 1,3 por cento; p <0,001), do peso (-2,9 ± 4,7 Kg; p <0,001), do IMC (-1,1 ± 1,8 Kg/m2; p <0,001), do perímetro da cintura (-1,8 ± 5,6 cm; p <0,001), da pressão arterial sistólica (-4,0 ± 21,5 mmHg; p = 0,018), dos triglicéridos (-17,0 ± 65,1 mg/dL; p = 0,009), do colesterol total (-11,5 ± 35,4 mg/dL; p = 0,001) e do colesterol LDL (-12 ± 32,9 mg/dL; p <0,001).

Resultados semelhantes foram obtidos ao analisar o subgrupo de doentes em que os inibidores de DDP4 foram substituídos por liraglutido. Não foram encontradas diferenças significativas entre os doentes tratados com 1,2 ou 1,8 mg/dia de liraglutido.

O estudo incluiu dados dos seguintes centros de investigação nacionais: Hospital de Braga; Hospital de Santo António (Centro Hospitalar Universitário do Porto); Centro Hospitalar Tondela-Viseu; Hospital Visconde de Salreu (Estarreja); Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra; Hospital das Caldas da Rainha; Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal; Hospital de Curry Cabral (Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central); Hospital de Egas Moniz (Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental); Hospital de Garcia de Orta; Hospital Distrital do Algarve (Centro Hospitalar do Algarve).

Fonte: press release

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