CANCRO

Apelo para que venda de herbicida com glifosato seja proibida

A Plataforma Transgénicos Fora apelou esta segunfa-feira, 25 de fevereiro, ao Governo para que proíba a venda de herbicidas à base de glifosato, que apoie os agricultores e que se torne obrigatória uma análise à água para consumo.

Apelo para que venda de herbicida com glifosato seja proibida

O apelo da Plataforma Transgénicos Fora surge na sequência dos resultados de um estudo lançado em 2018 para testar a presença de glifosato em voluntários portugueses.

As análises demonstraram uma exposição recorrente ao herbicida e apontam para uma contaminação generalizada por glifosato em Portugal.

Em comunicado, a Plataforma faz também um apelo ao Governo para que lance um estudo abrangente sobre a exposição dos portugueses ao glifosato e proíba a venda deste herbicida para usos não profissionais.

A Plataforma quer análises obrigatórias para detetar glifosato na água de consumo e o fim do uso de herbicidas sintéticos na limpeza urbana.

Na nota, a entidade pede ainda ao Governo apoio aos agricultores na transição para uma agricultura pós-glifosato nos próximos anos.

A organização sublinha que, pela “primeira vez, em Portugal, foi possível calcular os valores de exposição efetiva ao glifosato (que levam também em consideração o AMPA - substância em que o glifosato se transforma quando começa a degradar-se) e os resultados, quando comparados com outros países europeus, mostram uma diferença preocupante”.

Em declarações, a bióloga da Plataforma Margarida Silva, indicou que, em julho de 2018, foram recolhidas amostras de urina a 62 voluntários, 56 adultos e seis crianças, tendo 65 por cento acusado glisofato.

“Em outubro de 2018, a análise foi repetida, tendo participado 44 pessoas. O glifosato foi detetado em 100 por cento das amostras”, referiu.

De acordo com os dados do estudo, enquanto na média de 18 países se verificou que 50 por cento das amostras estavam contaminadas, as duas rondas de testes em Portugal estavam acima desse valor – e em outubro a contaminação foi detetada em 100 por cento das amostras.

A Plataforma já tinha levado a cabo, em 2016, uma outra colheita a 26 pessoas que veio confirmar também a presença da substância em 100 por cento dos casos.

“Em 2016, houve uma amostragem tão aleatória quanto possível: nenhum dos voluntários escolhidos consumia agricultura biológica ou estava ligado a alguma corrente ou preocupação particular com a alimentação”, segundo a Plataforma.

Já em 2018, os participantes inscreveram-se por iniciativa própria e cerca de 80 por cento dos inscritos identificaram-se como consumidores de alimentos biológicos.

“Estes resultados mostram que o problema não está resolvido, que as pessoas estão a ser contaminadas recorrentemente. Estamos expostos todos os dias e a alterar o nosso microbioma intestinal, que as investigações apontam nesse sentido é dos sistemas mais importantes do ponto de vista da perseveração da nossa saúde e equilíbrio metabólico”, disse.

De acordo com Margarida Silva, podem estar aqui muitos dos problemas de saúde dos portugueses.

O glifosato é o herbicida mais usado em Portugal e causa cancro em animais de laboratório, estando classificado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como carcinogéneo provável para o ser humano.

“Este estudo exploratório é uma forma de pressionar o Governo a tomar medidas para esclarecer o que se passa, saber se há focos específicos de contaminação e, por outro lado, ir preparando o caminho para o desaparecimento do glifosato. Os nossos agricultores precisam de aprender outras práticas. Não podemos deixar que a nossa agricultura fique atrás de outros países”, concluiu.

Fonte: press release

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