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Absentismo na saúde mostra que contextos de trabalho “estão doentes”

A Ordem dos Enfermeiros considera que o crescente absentismo no setor da saúde mostra que “os próprios serviços e contextos de trabalho estão doentes”, desgastando física e psicologicamente os profissionais.

Absentismo na saúde mostra que contextos de trabalho “estão doentes”

A bastonária Ana Rita Cavaco revelou que a Ordem encomendou um estudo à equipa da investigadora Raquel Varela com o objetivo de avaliar em que medida a forma de gestão dos recursos humanos e as condições de trabalho contribuem para a taxa de absentismo dos enfermeiros.

“Os enfermeiros têm das maiores taxas de absentismo, que a nível nacional se situa nos 13 por cento, mas há hospitais que chegam aos 15 por cento de absentismo só nos enfermeiros”, referiu Ana Rita Cavaco.

Dados oficias demonstram as faltas ao trabalho no setor da saúde por todos os motivos em 2018, passando para o equivalente a mais de quatro milhões de dias perdidos. Também as faltas por motivo de greve voltaram a disparar, para mais de 180 mil dias de trabalho perdidos.

A bastonária dos Enfermeiros recorda que dados recentes da Ordem mostram que um em cada cinco enfermeiros está a trabalhar em burnout e que dois terços têm um nível de stress muito elevado.

Para a representante da classe, as atuais condições dos serviços e a forma como são geridos os profissionais têm contribuído para os constantes aumentos da taxa de absentismo pelo menos nos últimos três anos.

Ana Rita Cavaco afirma que “há administrações a gerir os profissionais com base na coação, no medo e na ameaça”, pressionando a que não exerçam direitos legais, como redução de horário com filhos menores ou nos casos de amamentação.

A Ordem dos Enfermeiros encomendou ainda um outro estudo à equipa do economista e investigador Pedro Pita Barros, com o objetivo de aferir a taxa de abandono da profissão, bem como as razões.

“Há enfermeiros que pura e simplesmente desistem, querem sair desta profissão”, lamenta a bastonária.

Os administradores hospitalares consideraram já preocupante o aumento do absentismo geral no setor público da saúde e avisaram que pode retratar o estado das condições de trabalho e a motivação dos profissionais.

O presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, Alexandre Lourenço, sublinha que as faltas ao trabalho na saúde em 2018 atingiram níveis “muito elevados”, apresentam tendência de crescimento ao longo dos últimos anos e que isso deveria merecer atenção especial por parte do Ministério da Saúde e também dos hospitais.

“A ausência geral é preocupante, uma vez que retrata, muitas vezes, as próprias condições de trabalho e motivação dos profissionais”, declarou.

Sobre as ausências dos trabalhadores do Serviço Nacional de Saúde por motivo de greve em 2018, o representante dos administradores hospitalares considera que refletem um ano “extraordinariamente conflituoso”.

Fonte: Lusa

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