DIAGNÓSTICO

Ciclotrão que chega a Coimbra mostra que UC “está na vanguarda”

O desenvolvimento de um acelerador de partículas (ciclotrão) que vai melhorar o processo de diagnóstico do cancro mostra que a Universidade de Coimbra (UC) está “na vanguarda” desta área do conhecimento, afirma o reitor da instituição.

Ciclotrão que chega a Coimbra mostra que UC “está na vanguarda”

O Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS), unidade da Universidade de Coimbra (UC), desenvolveu, em parceria com a multinacional belga IBA, um acelerador de partículas (ciclotrão), pioneiro a nível mundial, que vai otimizar a produção do isótopo Gálio-68, fundamental para o diagnóstico de cancro da próstata e do cancro do pâncreas e até aqui de difícil acesso.

O ciclotrão único no mundo deverá chegar a Coimbra em março e representa um investimento de dois milhões de euros repartido em partes iguais pela Universidade e pela multinacional belga IBA, sem recurso a qualquer ajuda estatal ou de fundos europeus, disse à agência Lusa o reitor da instituição, João Gabriel Silva, durante a visita à fábrica perto de Bruxelas onde o acelerador está a ser construído.

Para João Gabriel Silva, o desenvolvimento deste ciclotrão - com tecnologia da Universidade de Coimbra patenteada - e aquilo que poderá significar para os avanços no diagnóstico do cancro , mostra que a instituição está “na fronteira mundial do conhecimento desta área”.

“Felizmente, temos recursos e não íamos perder aquilo que tanto nos custou, que foi a liderança mundial. Estou convencido de que o retorno económico vai pagar o investimento feito”, nomeadamente na maior captação de financiamento externo para investigação, vincou.

O ICNAS produz cerca de 20 radiofármacos diferentes - cinco autorizados para produção e distribuição junto do sistema de saúde -, estimando-se que já tenha sido responsável por mais de 100 mil exames feitos em Portugal a partir das doses criadas na sua unidade de produção desde 2012, disse o diretor do instituto, Antero Abrunhosa.

“Temos um efeito muito grande na regulação de preços [destes radiofármacos]. O nosso objetivo não é o lucro, é a sustentabilidade de um projeto de investigação na universidade, sendo que, assim que entrámos no mercado, os preços das doses caíram para menos de metade”, salienta.

Segundo Antero Abrunhosa, o ICNAS, para além de ter permitido uma poupança do Serviço Nacional de Saúde (SNS) no recurso a estes radiofármacos (que antes vinham de Espanha), permitiu um maior acesso dos doentes a este tipo de tecnologia, muito utilizada para diagnóstico de tumores.

A médio e longo prazo, pretendem produzir outros radiofármacos e poder passar a fornecer não só Portugal como cidades espanholas que estão mais perto de Coimbra do que de Madrid, como é o caso de Salamanca.

“Temos que olhar estrategicamente para Espanha como mercado natural”, defendeu o diretor do ICNAS.

Para além disso, alguns exames especializados que obrigavam a deslocações de doentes para o estrangeiro, já podem ser feitos em Coimbra, e começam a atrair as principais farmacêuticas, como a Pfizer ou a Roche, para ensaios clínicos.

“A nossa abordagem passa pelo desenvolvimento com aplicação na sociedade, que se traduz em patentes, e na ligação a empresas. Isso traz-nos fundos e torna-nos relativamente independentes das flutuações dos financiamentos em Portugal, que são uma montanha russa”, vincou.

Fonte: Lusa

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