BACTÉRIA

Bactéria Xylella fastidiosa pode ser “problema muito grave”

O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal avisou esta segunda-feira, 21 de janeiro, que a bactéria Xylella fastidiosa é “perigosa” e pode ser um “problema muito grave”, pedindo aos agricultores para alertarem imediatamente para eventuais infeções.

Bactéria Xylella fastidiosa pode ser “problema muito grave”

A Xylella fastidiosa “é perigosa, porque ataca um conjunto vastíssimo de culturas agrícolas permanentes muito importantes”, como “oliveiras, videiras, amendoeiras e até o próprio sobreiro”, disse Eduardo Oliveira e Sousa, em Beja, após uma reunião do Conselho Consultivo do Baixo Alentejo e Algarve da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP).

“Se não houver uma particular atenção no sentido de tentarmos conter o espalhar da bactéria, ela pode transformar-se num problema muito grave e, por isso, há que alertar as pessoas para a gravidade do assunto”, afirmou, defendendo que “é fundamental que os agricultores assumam uma postura de completa transparência”.

Ou seja, sublinhou, “é necessário que os agricultores, na desconfiança de qualquer sintoma que possa porventura estar relacionado com a bactéria Xylella fastidiosa, imediatamente lancem o alerta às entidades competentes”, nomeadamente as respetivas associações de agricultores e direções regionais de Agricultura ou a Direção-geral de Alimentação e Veterinária.

“Há um plano que o Governo está a implementar para tentar que a Xylella fastidiosa não se transforme num problema grave no país, mas, para isso, é preciso que todos tenhamos consciência de que ela não pode ser escondida”, alertou.

Eduardo Oliveira e Sousa lembrou que o problema da Xylella fastidiosa “agravou-se em Itália, porque os agricultores que a descobriram nas suas oliveiras a tentaram esconder”.

“Em vez de irem imediatamente dizer que tinham o problema, tentaram passar despercebidos e isso deu origem a um espalhar da bactéria, que depois se tornou incontrolável”, disse.

Em Portugal, a bactéria foi descoberta numa planta ornamental, a lavanda, que “já tinha vários anos”, estava num canteiro e “foi imediatamente destruída, queimada”, contou.

“Será esse o processo que virá a acontecer noutras situações que possam ocorrer, mas é preferível isso acontecer [de forma] pontual, localizada, do que corremos o risco de a Xylella fastidiosa se alastrar”, alertou.

Portugal informou oficialmente a Comissão Europeia da presença da bactéria em 41 plantas de lavanda no jardim do Zoo de Santo Inácio, no concelho de Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto, segundo disse à Lusa na sexta-feira fonte comunitária.

Já um ofício do Ministério da Agricultura, ao qual a Lusa teve acesso, refere que a presença da bactéria foi confirmada no dia 3 deste mês “numa sebe ornamental de Lavandula dentata” no jardim do zoo.

A bactéria foi detetada “num único canteiro” e o Ministério da Agricultura tirou amostras e “a planta foi destruída quando acusou positivo e imediatamente após a comunicação do ministério”, disse na sexta-feira à Lusa fonte do zoo.

O ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos, assegurou, no mesmo dia, que o Governo tem um plano de contingência para fazer face à bactéria Xylella fastidiosa e que é necessário estar atento aos seus sintomas nas plantas.

Desde 2015, têm sido detetadas diferentes subespécies da bactéria Xylella fastidiosa em França, Espanha e Itália em espécies ornamentais e também agrícolas.

Fonte: Lusa

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