GRIPE

Portugueses não correm para as urgências quando têm gripe

Poucos doentes vão às urgências, centro de saúde ou ligam para a linha do Serviço Nacional de Saúde (SNS 24) quando têm gripe. Apesar do impacto que se conhece nos serviços de urgência, um estudo do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) conclui que a maioria das pessoas não recorre a nenhum serviço de saúde quando tem algum sintoma de gripe.

Portugueses não correm para as urgências quando têm gripe

Só uma minoria recorre ao hospital, ao centro de saúde e ainda menos ao SNS 24, a linha de contacto telefónico do SNS, escreve a TSF.

A amostra da população portuguesa incluiu mais de quatro mil casos de gripe entre as épocas 2011/2012 e 2016/2017, registados no sistema de vigilância participativa Gripenet.

Do total, 71,3 por cento não recorreu a qualquer serviço de saúde quando teve sinais de gripe, 11,4 por cento foram ao médico de família e apenas 6,2 por cento recorreram a uma urgência ou serviço hospitalar, num cenário sem grandes alterações ao longo dos anos.

Há um ligeiro aumento de portugueses a recorrer à linha SNS 24, mas, mesmo assim, ainda é residual o número dos que usam este serviço quando têm gripe: 3,7 por cento na média dos seis anos ou 4,2 por cento na última época gripal analisada.

Os especialistas do INSA admitem que os resultados sobre o SNS 24 “surpreendem, na medida em que seria expectável que quem participa num sistema de vigilância participativa online pudesse ter uma utilização mais frequente de uma ferramenta de aconselhamento e encaminhamento à distância”, valendo a pena “recomendar que se tente aumentar a literacia da população para melhor gerir episódios de gripe, reduzindo a procura dos cuidados de saúde presenciais”.

O bastonário da Ordem dos Médicos admite que não fica surpreendido com os resultados deste estudo, pois não procurar o médico é, de facto, a opção correta na maioria dos casos de gripe.

Miguel Guimarães defende que o problema das urgências é sobretudo a fragilidade dos serviços e não tanto a procura excessiva em época gripal, o que faz com que qualquer pequeno incremento de procura cause horas de espera nos serviços.

Os últimos números divulgados revelam que a gripe se manteve em fase de epidemia, mas em situação estável, na segunda semana do ano, com uma taxa de incidência de 48,8 por 100 mil habitantes, numa descida acentuada em relação à primeira semana de 2019.

Fonte: TSF

OUTRAS NOTÍCIAS RELACIONADAS


ÚLTIMAS NOTÍCIAS