ONCOLOGIA

Equipa do Porto cria aplicação que ajuda doentes oncológicos

O CINTESIS - Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, no Porto, está a desenvolver uma aplicação para “ajudar doentes oncológicos a lidar com a doença e os seus sintomas”, anunciou uma responsável pelo projeto.

Equipa do Porto cria aplicação que ajuda doentes oncológicos

Célia Santos, investigadora do CINTESIS e professora na Escola Superior de Enfermagem do Porto, contou que o projeto, designado ‘iGestSaúde’, surgiu após a verificação de uma “grande lacuna” relacionada com a “falta de apoio e gestão” do dia a dia dos doentes oncológicos e crónicos.

“Este projeto não pretende substituir os médicos e enfermeiros, mas a verdade é que as pessoas em casa é que se defrontam com as dificuldades e com as dúvidas, o que as leva, muitas das vezes, a recorrer aos hospitais e aos médicos, por vezes, quase sem necessidade, porque são aspetos muito fáceis de contornar”, sublinhou a investigadora.

O projeto ‘iGestSaúde’, distinguido com a Bolsa Celgene 2018 de Incentivo às Iniciativas Centradas na Pessoa com Doença, no valor de dez mil euros, pretende assim “complementar o trabalho dos profissionais de saúde” e capacitar os doentes de competências que lhes permita “gerir a sua doença e cuidar da sua saúde”.

“Esta é uma questão muito particular, porque durante a primeira consulta o enfermeiro explica os sintomas, mas o doente está a receber demasiada informação e quando chega a casa fica desorientado, e muitas das vezes, acaba por suportar os sintomas. Depois, quando vai a uma segunda consulta para fazer um novo tratamento, tem níveis sanguíneos e níveis de imunidade completamente descontrolados que não lhe permitem fazer o tratamento”, esclareceu Célia Santos.

Segundo a investigadora, foram estas as razões que levaram à criação do projeto, que tem vindo a trabalhar as questões de sintomatologia e as orientações terapêuticas.

A equipa responsável pelo projeto ‘iGestSaúde’, que se encontra em fase piloto no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, prevê, no próximo ano, ter já concluída a aplicação.

“Inicialmente, vamos recolher dados sobre as características pessoais, de personalidade, autoeficácia e bem-estar. Depois, vamos acompanhar a pessoa entre os tratamentos e ver como reage, para depois darmos as orientações através da aplicação. Paralelamente a isso, vamos avaliar a medicação e criar um alerta para a pessoa tomar o medicamento”, explicou.

A aplicação vai estar dividida de acordo com “três níveis de gravidade”: verde, que corresponde a questões de cariz preventivo como a perda de cabelo, amarelo para orientações relacionadas com o tratamento e vermelho, no qual é criado “um alerta para que a pessoa tenha uma consulta no hospital ou com o seu médico o quanto antes”.

“Estes dados são importantes para a investigação, mas também tem um potencial em termos clínicos, na medida em que ajudam a pessoa a desenvolverem cuidados de saúde”, acrescentou Célia Santos.

A cerimónia de entrega da Bolsa Celgene 2018 de Incentivo às Iniciativas Centradas na Pessoa com Doença, decorreu na passada semana na Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa (ESTeSL), durante o 7.º Congresso Internacional dos Hospitais.

Fonte: Lusa

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