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Patches vitamínicos para perder peso são “perda de dinheiro”

Os adesivos vitamínicos (ou patches) tornaram-se uma moda nos últimos anos e são frequentemente comercializados como sendo uma ferramenta para iniciar uma mudança no estilo de vida.

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Os adesivos transdérmicos são dispositivos adesivos que administram uma dose de medicamento - ou, no caso de produtos de bem-estar, “suplementos” vitamínicos e minerais - à corrente sanguínea através da pele.

O regulador de saúde norte-americano (FDA) aprovou o primeiro adesivo transdérmico medicinal em 1979 e, desde então, apareceram adesivos de cessação do tabagismo, adesivos de controlo da natalidade, entre outros.

Nos últimos anos, no entanto, adesivos vitamínicos não medicinais inundaram o mercado, com empresas a venderem coquetéis de “suplementos” que prometem ajudar a aliviar os efeitos de condições como acne, insónia, síndrome pré-menstrual, etc. A vantagem desses dispositivos é que administram substâncias no organismo de forma não invasiva.

Mas a definição desses dispositivos pode entrar em conflito com a lei, nomeadamente nos Estados Unidos. De acordo com a FDA, um suplemento dietético é um produto destinado à ingestão (como um multivitamínico oral), o que significa que os adesivos transdérmicos tecnicamente não podem ser rotulados ou comercializados como suplementos. E ao contrário de novos fármacos (incluindo adesivos transdérmicos), a FDA não testa suplementos antes destes entrarem no mercado.

Embora os ensaios clínicos sobre a eficácia dos adesivos transdérmicos estejam a aumentar, a falta de transparência dentro do setor, além dos poucos testes independentes e do marketing agressivo, pode representar um perigo para a saúde para aqueles que necessitam de nutrientes suplementares, como pacientes que realizam cirurgia bariátrica e que optam por adesivos sem o devido teste clínico.

Existem inúmeros estudos já realizados que analisaram os efeitos a longo prazo das vitaminas para pacientes bariátricos, mas, por enquanto, a Sociedade Americana de Cirurgia Bariátrica e Metabólica continua a recomendar a toma de vitaminas mastigáveis.

“A minha mensagem para o público é: deve-se ter cuidado. A evidência da absorção de nutrientes através da barreira da pele é muito limitada. As empresas precisam de fornecer provas para fazer as alegações que fazem sobre os seus benefícios”, disse Joann Manson, chefe do departamento de Medicina Preventiva do Hospital Brigham and Women’s, no Reino Unido.

Várias empresas de adesivos vitamínicos transdérmicos comercializam os seus produtos como sendo uma solução de saúde e um caminho para que as pessoas possam mudar o seu estilo de vida.

“Há muito pouca evidência clínica para provar as alegações de saúde de adesivos transdérmicos e eu aconselho as pessoas a serem muito cautelosas, especialmente quando os produtos prometem promover a perda de peso apenas através do uso de um adesivo vitamínico na pele”, disse a nutricionista Taylor Johnson.

As pessoas precisam perceber que não existem produtos milagrosos para a perda de peso e para promover a saúde e que o fundamental é ter uma dieta equilibrada e praticar atividade física, afirmaram os especialistas.

Além disso, os nutrientes consumidos através da dieta são mais benéficos para a saúde do que aqueles ingeridos através de suplementos, concluíram os cientistas.


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