NUTRIÇÃO

"Nutricondria": a obsessão por dietas sem glúten e sem lactose

Com a perda de peso e a boa forma física a tornarem-se uma moda e quase uma obsessão em todo o mundo, muitas pessoas estão a adotar hábitos de vida e dietas aparentemente "saudáveis", mas que, na verdade, podem ser prejudiciais ao bem-estar físico e mental. A obsessão por "comer saudável" e pela dieta pode promover o desenvolvimento de vários distúrbios alimentares.

“Nutricondria”: a obsessão por dietas sem glúten e sem lactose

Um estudo recente realizado por uma importante empresa de genética de bem-estar descobriu um novo tipo de transtorno chamado "nutricondria", em que as pessoas "se autodiagnosticam" como tendo intolerância alimentar e alergias, apesar da ausência de qualquer evidência clínica de que realmente apresenta essas condições.

O estudo mostrou também que uma percentagem alarmante de adultos britânicos está a sofrer com este distúrbio. Além disso, a maioria dos que supostamente sofriam com "nutricondria" encontrava-se na faixa etária dos 25 aos 35 anos.

A investigação contou com a participação de 40 mil adultos britânicos e quase metade destes acreditava ter intolerância alimentar, apesar de apenas 15 por cento terem uma confirmação médica da condição.

Um em cada três participantes disse que tinha intolerância à lactose, enquanto um em cada quatro admitiu ser intolerante ao glúten. Entre aqueles dentro da faixa etária dos 25 aos 35 anos de idade, 37 por cento e 32 por cento dos entrevistados disseram que evitaram leite e glúten, respetivamente, devido a uma suposta intolerância.

Na realidade, apenas cinco por cento dessas pessoas tinham diagnósticos médicos para a doença celíaca e intolerância à lactose.

Acredita-se que a principal causa para a ocorrência do distúrbio da "nutricondria" seja a confusão predominante sobre o que é saudável e não saudável, devido a um grande número de informações e recomendações de dieta e nutrição "bem-intencionadas" feitas por celebridades e nutricionistas de celebridades, bem como pela comunicação social.

O estudo mostrou ainda que 22 por cento dos entrevistados "acreditaram que poderiam ter intolerância alimentar depois de ouvirem uma celebridade falar sobre o assunto".

Os hábitos dos nutricondríacos são semelhantes àqueles registados por quem sofre de ortorexia - um distúrbio alimentar em que o paciente é obcecado por comer alimentos saudáveis.

Outros elementos que contribuem para o desenvolvimento do distúrbio podem ser ler artigos sobre intolerância alimentar, ganhar peso, receber conselhos de dietas de amigos não qualificados e membros da família ou o desejo de imitar um formador de opinião das redes sociais e/ou dos media.

Embora os hábitos alimentares das pessoas que sofrem com este distúrbio não sejam tão documentados como os dos ortorexistas, os nutricondríacos frequentemente rejeitam fazer refeições preparadas por outros, devido à intolerância alimentar não diagnosticada.

Este facto gera impacto também nas amizades e nas relações sociais: um em cada cinco entrevistados admitiu recusar o convite para comer com alguém que tivesse uma alergia alimentar autodiagnosticada.

O distúrbio é também um reflexo de uma tendência cada vez maior entre os millennials de evitar os conselhos de nutricionistas certificados, em favor do conselho dado por celebridades ou "formadores de opinião de fitness" nas redes sociais.

A maioria dos nutricionistas clínicos e nutricionistas certificados é contra a retirada completa de grupos de alimentos da dieta.

Fonte: NDTV

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