VÍRUS

Vírus Nipah pode ser responsável por nova pandemia

Um recente surto do vírus Nipah registado no sul da Índia renovou o interesse por este agente patogénico ainda pouco conhecido, que apresenta uma taxa de mortalidade de até 70 por cento dos infetados e para o qual não há vacina ou cura.

Vírus Nipah pode ser responsável por nova pandemia

Descoberto há 20 anos, o Nipah ainda é um vírus pouco estudado e, por isso, pouco conhecido. E, como surgiu numa das regiões mais pobres do mundo, já surgiu como uma doença negligenciada.

Agora, especialistas afirmam que o comportamento do vírus na natureza e entre os humanos tornaram-no o candidato mais forte para uma indesejada próxima epidemia global.

O vírus Nipah - ou NiV - geralmente é transmitido de morcegos ou porcos para os humanos e mata quase três quartos dos doentes infetados. No atual surto no sul da Índia, o vírus já matou cerca de 20 pessoas, com dezenas de casos adicionais confirmados. Outros países da região também já registaram casos, embora em menor número.

Parece haver cepas do vírus capazes de serem transmitidas pessoa a pessoa, o que aumenta as probabilidades de uma epidemia da doença disseminar-se rapidamente entre as comunidades densamente povoadas do sul da Ásia.

O alerta sobre a perigosidade do vírus Nipah foi feito pelo epidemiologista Stephen Luby, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.

O habitat natural dos morcegos Pteropus que transportam o Nipah são as florestas tropicais. Como essas florestas foram convertidas em terras agrícolas, os morcegos procuraram outras fontes de alimento.

No Bangladesh, o vírus passa dos morcegos para as pessoas porque esses animais estão a alimentar-se da seiva fresca das palmeiras e, assim, ao passar a sua saliva na planta - que pode estar infetada com o vírus Nipah – podem transmitir a doença para os humanos que também bebem a seiva da planta.

"Por causa da perda de habitat, os morcegos Pteropus na Austrália são mais propensos a permanecer nos subúrbios, onde as árvores frutíferas estão disponíveis, e pessoas e cavalos estão por perto. Os morcegos pararam grande parte de sua migração anual devido à perda de habitat", explicou Luby.

A grande preocupação dos epidemiologistas é agora identificar e caracterizar as estirpes do vírus que possam ser transmitidas entre humanos, o que poderia, segundo eles, ser catastrófico.

"A característica que pode aumentar o risco de transmissão de pessoa a pessoa seria um vírus que tenha uma tendência mais forte de se deslocar para o trato respiratório em grande número. É concebível que o vírus possa adquirir uma mutação que potencialize essa capacidade. A preocupação é que, sempre que um vírus infecta um ser humano, ele está num ambiente que o seleciona para sobrevivência nesse contexto", afirmou.

"Infeções emergentes resultaram nas doenças infeciosas mais devastadoras que a humanidade já enfrentou. Elas incluem VIH, tuberculose, sarampo e varíola. A história ensinou-nos que as infeções emergentes podem ser grandes ameaças", disse Luby.

E "o desenvolvimento de vacinas exige muito dinheiro. O número de pessoas infetadas com Nipah é pequeno e, por isso, até muito recentemente, tem havido um investimento limitado no desenvolvimento de uma vacina. A CEPI - Coalition for Epidemic Preparedness Innovations anunciou recentemente planos para financiar o desenvolvimento de uma vacina humana contra o Nipah", concluiu o especialista.

Fonte: Diário da Saúde

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