DEPRESSÃO

Depressão e problemas de saúde oral afetam-se mutuamente

"Depressão. Vamos falar!" é o mote para assinalar esta sexta-feira, 7 de abril, o Dia Mundial da Saúde. No âmbito deste tema, é importante destacar que a depressão e a saúde oral afetam-se mutuamente e de forma negativa, como demonstram vários estudos científicos, refere um conjunto de cientistas.

Depressão e problemas de saúde oral afetam-se mutuamente

A má saúde oral é considerada um fator de risco na depressão, sendo que doentes com depressão veem frequentemente a sua saúde oral afetada.

Vários estudos confirmam que doentes com depressão têm mais doenças do foro oral, mas, um estudo levado a cabo por uma equipa de investigadores internacionais mostra que pessoas com diversas doenças da cavidade oral têm maior probabilidade de vir a sofrer de depressão.

Para Orlando Monteiro da Silva, bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, "à evidência da prática clínica nos consultórios de medicina dentária juntam-se agora estudos científicos que permitem aprofundar uma relação estabelecida há muito, mas que os dados compilados ajudam a enquadrar, sistematizar e segmentar".

"A autoestima é determinante na forma como cuidamos de nós e pessoas com problemas dentários têm, habitualmente, autoestima baixa, são pessoas que evitam sorrir, quando mais rir, que tendem a evitar contactos sociais e que, muitas vezes, preferem deixar a agravar a situação a tratar-se. Perceber quem são estas pessoas, o que as afeta, como motivá-las e tratá-las é essencial", considera o bastonário.

O estudo "The association between poor dental health and depression: findings from a large-scale, population-based study", liderado por Adrienne O’Neil e Michael Berk, respetivamente das universidades de Deakin e Monash, na Austrália, analisaram os dados de mais de dez mil doentes e concluíram que a depressão está relacionada com fatores objetivos e subjetivos de uma má saúde oral.

O estudo também revela que doentes com depressão têm menos cuidados com a saúde oral, como a escovagem dos dentes e o uso de fio dentário.

Para os autores, é importante ter em conta que a depressão é um fator de risco para a saúde oral e que, quanto mais profunda for a depressão, maior é a falta de autoestima dos doentes, afetando de forma assinalável a higiene oral diária e, consequentemente, e de forma negativa, a saúde oral.

Este estudo reforça ainda suspeitas de que possa haver uma relação entre a saúde oral e as bactérias, presentes em grande número na boca, e o risco de depressão.

Os autores alertam ainda que, estando provado que a saúde oral é um fator de risco para a depressão, há implicações que têm de ser tidas em conta quer na prevenção, quer no tratamento da depressão.

Um outro estudo intitulado "Depression, self-efficacy, and oral health: an exploration", das autoras Megan L. McFarland e Marita Rohr Inglehart, ambas da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, mostra como a saúde oral pode ser um fator de risco para a depressão.

As autoras analisaram dados de 399 doentes para concluírem que, em pessoas com múltiplos problemas de saúde oral, a prevalência da depressão é maior e as depressões são mais profundas.

A depressão afeta a capacidade de as pessoas lidarem com as tarefas diárias, e, como tal, para as autoras, não é surpresa que a depressão possa deteriorar a saúde oral dos doentes.

Fonte: press release

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