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Cientistas brasileiros criam nanopartículas com dupla função contra cancro

Uma equipa da Universidade Estadual de Campinas, no Brasil, desenvolveu nanopartículas especiais que desempenham uma dupla função no combate às células cancerígenas.

Cientistas brasileiros criam nanopartículas com dupla função contra cancro
TESTIS CANCRI

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Além de transportar fármacos para atuarem de forma controlada no organismo sobre os tumores, as nanopartículas viabilizam ainda a aplicação de outra técnica.

Segundo explicaram os cientistas Beatriz Carvalho e Ítalo Mazali, as nanopartículas em causa apresentam simultaneamente propriedades magnéticas e luminescentes, sendo compostas por um núcleo magnético, constituído por nanoaglomerados de magnetita e por uma "cobertura" de sílica, na qual são ligadas moléculas luminescentes.

Quando submetidas a um campo magnético alternado, as nanopartículas que formam o núcleo aquecem e podem ser utilizadas no tratamento de tumores cancerígenos pelo método da hipertermia.

Já o complexo ligado à "cobertura" das nanopartículas funciona como uma espécie de termómetro, permitindo o controlo da temperatura gerada durante o processo.

Testes realizados em laboratório mostraram que as nanopartículas demoraram apenas dez minutos para atingir temperaturas de até 70.ºC, quando submetidas ao campo magnético alternado, um valor bem acima do necessário nos tratamentos atuais por hipertermia (entre 40ºC a 45ºC).

A temperatura a atingir pelas nanopartículas pode ainda ser monitorizada através das moléculas luminescentes e ajustada, alterando-se o tempo de aplicação do campo magnético.

Após o tratamento com recurso à hipertermia, as mesmas nanopartículas podem ainda ser usadas para libertar medicamentos oncológicos sobre as células tumorais.

O duplo tratamento visa, primeiro, atacar o tumor através da hipertermia, fragilizando-o. Depois, complementa-se a terapêutica ao entregar, de forma controlada, o fármaco.

Testes já realizados mostraram que essas terapias não apresentam característica citotóxica, pelo que não provocam nenhum efeito nocivo no organismo.

O próximo passo será realizar ensaios num modelo animal.


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